O Olhanense confirmou hoje que foi detectada gripe A (H1N1) no senegalês Gomis e foram activadas as medidas de prevenção para o plantel, que pode voltar ao trabalho quarta-feira.
“Confirmamos a existência de um caso de gripe A no Olhanense”, revelou o chefe do departamento médico, Veloso Gomes, em conferência de imprensa realizada na sua clínica, em Faro.
O jogador apresentou “queixas específicas” no sábado, antes do jogo-treino com o Portimonense, e foi levado para casa, com o caso a seguir os trâmites oficiais via Ministério da Saúde.
As análises feitas domingo, no Hospital de Faro, receberam ontem a confirmação oficial. Gomis encontra-se em sua casa. “Está a ser monitorizado e em tratamento”, disse Veloso Gomes.
As medidas de prevenção para evitar a propagação do vírus H1N1 entre o plantel foram activadas. Os colegas, equipa técnica e outras pessoas que contactaram com Gomis foram medicadas com o antivírico Tamiflu e encontram-se nas suas respectivas casas.
Veloso Gomes revelou, na conferência de imprensa, que neste momento “não há indícios clínicos de gripe A em nenhuma outra pessoa”, o que poderá levar o plantel a voltar aos treinos já esta quarta-feira.
O médico não garante “em absoluto” que a situação esteja ultrapassada. “O período de contágio pode estender-se até sete dias”, sublinhou. Gomis ficará a ser monitorizado no seu domicílio, em princípio, até sábado.
Gomis, reforço proveniente do Shinnik Yaroslavl (Rússia), passou férias no Senegal mas já está em Portugal há quase um mês, pelo que o contágio terá sido “seguramente dentro” do país, disse Veloso Gomes.
Alerta para a Liga
O chefe do departamento médico do Olhanense alertou as entidades desportivas para a situação, uma vez que entende que os jogadores de futebol são “um grupo de alto risco, em virtude da intensidade dos contactos”.
Para Veloso Gomes, que preparava para esta semana uma sessão de esclarecimento com o plantel do Olhanense, “a tendência [de casos] é para aumentar”. “As entidades que gerem o desporto têm de se preparar para casos em que vários atletas de uma equipa possam ser atingidos pela gripe A.”
“O caso será um ponto de partida para a Liga de Clubes estar atenta e preparada para uma recalendarização que não penalize os clubes que possam ser atingidos ou até, por que não, para uma possível suspensão do campeonato, se for necessário”, sublinhou, por seu lado, o presidente do Olhanense, Isidoro Sousa.
O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Hermínio Loureiro, manifestou-se preocupado com o caso: “Há já algum tempo manifestámos a nossa preocupação sobre essa matéria, mas ainda aguardamos resposta por parte da Ministra da Saúde, do governo ou de alguém com responsabilidade nessa área.”
O dirigente falava durante a assinatura de um acordo de alteração ao contrato colectivo de trabalho dos jogadores, celebrado entre a Liga Portuguesa de Futebol Profissional e o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol.
Hermínio Loureiro referiu que a Liga “está internamente a procurar criar mecanismos que permitam evitar situações de risco” e que “permitam encontrar as melhores soluções para ultrapassar eventuais problemas”.
“Por uma questão de responsabilidade manifestámos a nossa disponibilidade para reunir e encontrar as melhores soluções, mas ainda estamos à espera que tal possa acontecer”, referiu Hermínio Loureiro.
O dirigente entende que “as pessoas andem preocupadas com outras questões”, mas reformulou o desejo de que a reunião tenha lugar, até para saber se o plano desenvolvido internamente está de acordo com o exigido.


























