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Recuperação do património em destaque no dia da Cidade de Loulé

A ligação entre o passado, o presente e a preparação do futuro estão presentes nas obras de requalificação de vários edifícios históricos da cidade de Loulé que a Câmara Municipal pretende devolver à comunidade.

O património histórico e arquitetónico da cidade de Loulé esteve hoje em destaque na primeira parte do programa de comemorações do 29.º aniversário da elevação de Loulé a cidade.

A autarquia promoveu um périplo pelas obras em curso no Café Calcinha, nos Banhos Islâmicos, pelo Solar da Música Nova, pelo Palácio Gama Lobos e pelo Pórtico do Largo da Graça que contam com um investimento próximo dos quatro milhões de euros.

À margem da visita, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vitor Aleixo, explicou que os edifícios em causa estavam em avançado estado de degradação.

“Estavam aqui expectantes, sem qualquer utilidade pública e não fazia sentido deixarmos continuar esta situação porque eles fazem falta para a vida comunitária da cidade”, referiu.

De acordo com as previsões dos técnicos da autarquia, as obras do Café Calcinha contam com um orçamento na ordem dos 125 mil euros e deverão estar concluídas até abril deste ano.

Responsável pela recuperação deste conhecido café louletano, o arquiteto Jorge Guerreiro explicou que os trabalhos em curso conjugam a necessidade de responder aos requisitos de segurança e higiene atuais sem que essa atualização desvirtue a essência arquitetónica do espaço.

À entrada do Solar da Música Nova, permanece uma inscrição que o data de 1826. No seu interior, os trabalhos decorrem em várias frentes que permitem a recuperação de algumas áreas e a criação de áreas novas que vão acolher em 2018 vão acolher o Conservatório de Música de Loulé, a Banda Filarmónica Artistas de Minerva e um auditório com 120 lugares.

Esta recuperação conta com um orçamento na ordem dos dois milhões e 330 mil euros.

Maria Apolo vive numa casa junto a este palácio há cerca de 60 anos. Ao Diário Online, contou que ainda recorda o movimento, os bailes e a música da banda que posteriormente deram lugar ao silêncio do abandono e agora ao barulho da reconstrução.

As obras fazem-na aspirar a um ambiente melhor e mais seguro na sua rua.

O Palácio Gama Lobos, conhecido pelo edifício dos Espanhóis, tem em curso uma intervenção de dois anos que conta com um orçamento de 1.5 milhões de euros.

Quando recuperado, o edifício vai acolher o projeto ECOA que vai promover a combinação de conhecimentos ancestrais e do artesanato com a cultura contemporânea. No seu interior vão funcionar oficinas de trabalho, espaços de exposição e formação e áreas para residências artísticas.

O arquiteto Luís Guerreiro, responsável pela recuperação deste palácio, contou que os trabalhos vão passar pelo depurar o corpo do edifício para dar primazia à sua “parte primitiva”, ou seja, para dar lugar à sua aparência inicial.

“A autarquia está a investir em muitas áreas e o património, pelo conjunto de investimentos que concentra, podemos dizer que é um dos aspetos onde os dinheiros públicos do município têm sido bastante concentrados ultimamente”, observou Vitor Aleixo vincando que a par desta aposta no património decorrem vários investimentos no concelho em diversas áreas como é o caso da rede viária, do abastecimento de água e saneamento, da cultura e da educação.

As comemorações da cidade de Loulé contaram ainda com a inauguração das obras de requalificação da Rua Cabeço do Mestre e da Rua Assis Esperança e com a atuação do pianista Mário Laginha com o fadista Camané no Cine-Teatro Louletano.

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