fatima catarina
Fátima Catarina

Entrevista Exclusiva: Fátima Catarina fala-nos dos 10 Anos da Inframoura e revela novidades

A Inframoura, comemorou 10 Anos no passado dia 1 de fevereiro e o diáriOnline / Região Sul foi ao encontro da Presidente do Conselho de Administração, Fátima Catarina, em funções há cerca de três anos, para em exclusivo ao nosso jornal, fazer uma retrospectiva do passado e perspectivar o futuro.

diáriOnline / Região Sul: A Inframoura, é uma empresa municipal, com competências muito especificas. Que competências são essas ?

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Fátima Catarina: As nossas competências são a gestão do espaço público por delegação da Câmara Municipal de Loulé, ou seja, nós somos uma empresa pública municipal, com capital social de 49 por cento, privado, da Vilamoura World, e 51 por cento da Câmara Municipal de Loulé, mas as nossas competências são meramente públicas. Nós só representamos, só agimos, por delegação de competências da Câmara no abastecimento de água, na recolha de resíduos, no saneamento básico, nos espaços verdes, nas vias, na iluminação pública. A Inframoura dispõe, ainda, de um sistema de bicicletas de uso partilhado.

DO/RS: O que se pode dizer destes 10 anos de existência da Inframoura ?

FC: Pode-se dizer que Vilamoura está diferente. Quem conhecia Vilamoura há 10 anos atrás, e eu própria conhecia porque era residente, verifica que Vilamoura está muito diferente. Não existiam locais para passear a pé, não haviam ciclovias… Existia o Anel dos Hotéis com muito trânsito, com duas faixas de rodagem mas as quais serviam para estacionar em vez de circular, era uma desordem. A administração anterior deu um passo positivo para melhorar, qualificar e fazer com que a zona central de Vilamoura tivesse um arranjo paisagístico e uma gestão urbana diferente, permitindo mobilidade para todos, mesmo pessoas com mobilidade condicionada, promovendo o uso da bicicleta. Isso foi muito importante, mas agora há que dar passos em frente. Quando cá cheguei, encontrei tudo muito bonito, e está bonito aos olhos de todos, mas há que investir nas infraestruturas enterradas. De facto, algumas dessas infraestruturas têm 50 anos ou mais, o que leva a roturas de água frequentes. Temos investido imenso nessas áreas, por fases, porque é quase impossível dar conta de tantos quilómetros de infraestruturas enterradas. São cento e muitos quilómetros de condutas de água e outros tantos de coletores de esgotos. Temos melhorado algumas estradas, temos feito acordos com a Câmara de Loulé no sentido de substituir a iluminação que tínhamos, por tecnologia Led, muito mais amiga do ambiente, temos colocado nos espaços verdes, muitos inertes, e plantas menos carentes de água.

DO/RS: Falou do trânsito no anel dos hotéis, mas durante os meses de Verão continua a verificar-se o mesmo calvário ?

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FC: Bom, o ano passado não foi tão grave quanto há dois anos e quanto há três. O ano passado optamos por arranjar, provisoriamente, muitas centenas de lugares para estacionar, ao longo da Avenida Cerro da Vila. Numa parceria com a Vilamoura World, que cedeu os terrenos, com a Câmara de Loulé, a empresa Loulé Concelho Global e outras entidades, levamos para a frente esse projecto. No anel dos hotéis, a partir do final de tarde, com a Guarda Nacional Republicana, cortámos o trânsito, por forma a que as pessoas não reentrassem no anel e continuassem a andar às voltas à procura de estacionamento. Houve melhorias, não foi o que queríamos, porque o que nós queríamos é que não houvesse aquele trânsito todo no anel dos hotéis, mas para isso teríamos que cortar o trânsito na totalidade nessa via. Para este ano temos novamente o grupo estratégico a funcionar, o qual é constituído pela Inframoura, Câmara Municipal de Loulé, Vilamoura World, Junta de Freguesia de Quarteira, Loulé Concelho Global, Associação de Empresários de Vilamoura e Quarteira, Associação Vilamoura Visitors e Guarda Nacional Republicana. Já reunimos e vamos voltar a reunir para estudar as melhores soluções para o Verão, sendo o essencial arranjar espaços de estacionamento na periferia, entre outras hipóteses que estão a ser estudadas e que a seu tempo serão divulgadas. Certo é que o fluxo de tráfego é muito superior à nossa capacidade.

DO/RS: A Rua dos Pinheirinhos, antes da Rua do Sol, pode ser uma solução para escoar quem quer sair ?

FC: Sim, aí já foi mandado derrubar um muro que separava Vilamoura de Quarteira e já é possível circular para sair, em especial as viaturas de emergência e táxis. Uma solução mais definitiva está a ser tratada com a Câmara Municipal de Loulé.

 

"Discordo que Vilamoura seja «Vilamorta»."

 

DO/RS: Muitas pessoas lamentam-se que Vilamoura não tem animação nos meses de Novembro, Dezembro e Janeiro, Vilamoura fica quase deserta, há mesmo quem lhe chame a «Vilamorta». O que tem a Inframoura para dizer sobre isto ?

FC: A Inframoura não tem competências para fazer promoção e animação turística, a própria lei não permite. O que podemos fazer nessa área e temos feito, é apoiar logisticamente eventos desportivos e culturais. A Inframoura apenas organiza um único evento, que é o Mercado da Vila. Portanto tudo o que seja animação turística, deverá ser feito pela entidades competentes, Câmara de Loulé, Junta de Freguesia, Turismo do Algarve, ou os privados como a Vilamoura World. Mas, constata-se que, cada vez mais, existem eventos que dinamizam a época média e baixa do turismo: eventos hípicos, eventos de ténis e padel, eventos náuticos, atletismo e muitos outros. Discordo que Vilamoura seja “Vilamorta”.

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DO/RS: Sendo Vilamoura um ícone turístico, sente tristeza pela sazonalidade que se verifica em Vilamoura no final do ano ?

FC: Claro que me sinto triste. Vindo eu da área do turismo, onde trabalhei grande parte da minha vida, sinto-me triste não só por não estarmos a aproveitar o potencial do território que temos, mas também porque temos estruturas para receber muito mais pessoas no Inverno e não recebemos. Mas, repare que todas as entidades estão conscientes desse facto e tudo estão a fazer para atenuar essa sazonalidade.

DO/RS: A Inframoura divulgou ter a maior rede de bicicletas de uso partilhado do país, mas é criticada por não dar acesso aos turistas ?

FC: De momento os turistas não têm acesso, pois isso colocaria em causa a disponibilidade de bicicletas para os residentes, em especial no mês de agosto. Estamos a estudar a possibilidade de expandir o acesso a turistas através de uma aplicação para telemóvel, sem prejudicar os residentes.

DO/RS: Ao contrário de outros anos, na quadra natalícia que passou houve mais iluminação e decoração, em especial junto à estátua Cupertino de Miranda, porquê ?

FC: Porque os residentes e visitantes de Vilamoura gostam de comemorar o Natal. Tivémos críticas muito positivas por esse facto. Houve quem nos questionasse e criticasse porque não fizemos o mesmo na Marina. Mas a resposta é simples, não o fizemos porque não nos compete. A Marina tem uma gestão privada.

DO/RS: Falemos dos espaços verdes. Há árvores que vão morrendo, mas que vão sendo repostas, é isso ?

FC: Sempre, sempre. Aliás se contabilizarmos as que
vão morrendo e as que são repostas, o saldo é largamente positivo.  Para além dessa preocupação ambiental temos a preocupação de utilizar materiais e plantas que sejam menos necessitadas de água. No entanto temos outras preocupações: caso do uso de pesticidas e herbicidas. Temos que fazer tratamentos e se não os fizermos temos uma invasão de espécies. Há pessoas que reclamam das ervas que nascem na calçada, nós vamos tratar, mas depois outras reclamam dos pesticidas e herbicidas que usamos. Gostava de apelar ás pessoas que quando vêem uma ervinha a nascer, não considerem assim tão grave. É natural! Também é natural as folhas das árvores caírem no Outono, e isso não é lixo, como alguns dizem. Tem que haver um equilíbrio, como em tudo na vida.

 

"As novidades prendem-se com um conjunto de projectos prioritários para Vilamoura"

 

DO/RS: Que novidades há para futuro ?

FC: As novidades prendem-se com um conjunto de projectos prioritários para Vilamoura, que foram identificados entre a Inframoura e os seus acionistas. Esses projetos estão a ser feitos pela Inframoura e Câmara de Loulé, numa parceria que está a funcionar muito bem. Vários são os projetos: uns da responsabilidade da Câmara Municipal, como o Passeio das Dunas, ou a reabilitação da estação elevatória na alameda da Praia da Marina (cuja obra está a decorrer), e ainda outros como a requalificação da Rua do Clube Náutico, Centro Tivoli, Rua do Sol (em fase de projeto) e outras.

DO/RS: E quando ficará pronto ? Antes do Verão ?

FC: A obra da Estação Elevatória ficará concluída em maio deste ano. As restantes não. Têm que se concluir os projetos e depois lançar os concursos públicos que, de acordo com a legislação, têm procedimentos e prazos. Há, ainda, negociações a decorrer com donos de alguns terrenos e alguns impasses que estão a ser resolvidos. Outro espaço que está a ser alvo de projeto é o Centro Tivoli (interior ao anel dos hotéis). O projectista já está a fazer os levantamentos necessários.

 

 

DO/RS: São obras que ficarão prontas em quanto tempo, três, quatro anos ?

FC: Bom, em termos de celeridade, temos que nos sujeitar às regras da contratação pública. A própria Câmara também está sujeita a vários tramites, cadernos de encargos, concursos internacionais, isto envolve muito dinheiro, mas a Câmara já tem isto previsto no Plano Plurianual de Investimentos. Portanto está assente que isto tem que ser feito.

DO/RS: Depois de ter passado pelo turismo, neste novo desafio como se sente a Fátima Catarina, realizada ?

FC: Completamente. Este é um desfio novo, mas não tão novo como isso, porque eu integrei a comissão instaladora destas empresas municipais quando o Engenheiro Murta Marcos e o então Presidente da Câmara Joaquim Vairinhos decidiram criá-las. Portanto quando vim para aqui senti que vinha para uma casa que também era um bocadinho minha, tendo em conta a minha participação na sua criação. Com o trabalho desta empresa estamos a contribuir, cada vez mais, para uma maior satisfação dos residentes, dos turistas e dos empresários que aqui vivem. Não podia sentir-me mais realizada porque estou a juntar tudo: trabalho numa empresa em que participei na sua criação, num local de grande procura turística (o turismo é a minha casa mãe) e num sítio que escolhi, há muitos anos, para viver. Trabalhar aqui, com uma equipa de profissionais fantástica, é muito bom. Sinto-me muito bem com este trabalho, e respondendo directamente à pergunta, sinto-me realizada.

 

"A Inframoura é uma Empresa Certificada e como tal todo o espaço público administrado por si é certificado"

 

DO/RS: A Inframoura é empresa certificada e já recebeu vários prémios e distinções ?

FC: A Inframoura é uma Empresa Certificada e como tal todo o espaço público administrado por si é certificado. Somos certificados com a ISO 9001 da Qualidade e com a ISO 14001 do Ambiente, que é uma distinção pouco comum a nível nacional.

Quanto a prémios, temos imensos e seria moroso descreve-los todos, mas destaco o facto de fazermos parte de uma Rede de Cidades e Vilas de Excelência, pelo que há dois anos recebemos a Bandeira de Excelência Nível 1 e este ano fomos a primeira entidade a receber a Bandeira de Excelência Nível 2.

Recebemos vários prémios de Arquitectura pela Ponte Pedonal na Avenida Vilamoura XXI, recebemos o Prémio Reabilitação Urbana do Espaço Público, o Prémio de Prática de Excelência da Requalificação Urbana da Baixa de Vilamoura. Temos recebido os Selos de Qualidade de Excelência da Água de Consumo atribuídos pela Entidade Reguladora, e há mais, mas estes são os mais emblemáticos e importantes para nós.

DO/RS: Fátima Catarina, para terminar, pode dizer-se que tá-se bem em Vilamoura ?

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FC: Tá-se muito bem em Vilamoura, eu acrescento um MUITO, em maiúsculas !

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