Tavira distingue pescadores do concelho

O salão nobre dos paços do concelho de Tavira acolhe amanhã, quarta-feira, 31, Dia Nacional do Pescador, a cerimónia de homenagem a quatro marítimos, seguida celebração eucarística, na Igreja de Nossa Senhora das Ondas, pelas 16:00 horas.

A celebração consiste no reconhecimento e valorização de uma vida dedicada ao mar. Acácio Afonso Chagas (Cabanas), Apolinário da Piedade Baptista (Santa Luzia), Artur Afonso da Silva Maximiano e Rogério da Conceição Galhardo (Tavira) são os homenageados deste ano.

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Acácio Afonso Chagas nasceu em 1943, em Cabanas de Tavira, onde viveu até 1980, altura em que se mudou para Tavira. Descendente de uma família de pescadores, ingressou na vida marítima com 11 anos, tendo feito uma paragem aos 20 anos, devido à prestação de serviço militar, na Guiné, em 1965.

Viveu como emigrante e ainda como mecânico, altura em que decidiu adquirir a sua primeira embarcação, «Glória Maria», em 1970. Reformou-se aos 63 anos, sem ter sofrido qualquer acidente e, atualmente, mantém no mar duas embarcações e integra a Associação de Armadores e Pescadores de Tavira (APTAV).

Apolinário da Piedade Baptista nasceu, em 1946, e com apenas 11 anos iniciou a sua atividade como marítimo na arte de arrastar, seguindo-se os alcatruzes. Aos 14 anos passou pela «Fragata de Lisboa», mas logo regressou a Santa Luzia. Foi com 16 anos que ingressou na pesca do bacalhau, em Lisboa, onde trabalhou dez anos como mestre de salga.

Já adulto, voltou à sua terra natal, tendo comprado um bote para a pesca do polvo. Trabalhou no «Cabo Branco», como pescador e mestre. Até aos 58 anos foi mestre de embarcações, reformando-se aos 62 anos. Em 1999, foi campeão de pesca artesanal (polvo), entre a Fuseta e Vila Real de Santo António.

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Artur Afonso da Silva Maximiano nasceu, em 1935, na localidade de Castro Marim. Começou como aprendiz aos 12 anos, na pesca da sardinha, através da Escola de Pesca de Tavira, e mais tarde trabalhou em Marrocos e Matosinhos.

Foi numa destas viagens que Artur viveu o seu maior susto no mar. Ao largo da Nazaré, a embarcação onde seguia apanhou uma tempestade e o barco ficou à deriva, devido a uma avaria. O sinal de alerta só foi recebido pela Emissora Nacional de Faro, que alertou a Penhispesca.

Foram momentos de aflição, na proa do barco, preso a uma guia que saía do mastro para tentar avistar uma embarcação. Só ao escurecer chegou a ajuda de uma traineira que rebocou, com alguns sobressaltos, toda a tripulação, até Peniche, recordou a autarquia, em comunicado.

Acabou por abandonar a pesca da sardinha e dedicou-se à pesca artesanal como mestre da sua embarcação «Maria Artur».

Rogério da Conceição Galhardo nasceu em 1947, em Tavira. Ainda muito jovem, logo após terminar a 4.ª classe, começou a trabalhar nos barcos que faziam a travessia entre as Quatro Águas e a Ilha de Tavira, seguindo-se uma passagem por uma oficina.

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Aos 16 anos impulsionado pela sua mãe, foi trabalhar com o mestre Jaime (armador no Barril), enquanto no inverno, período de interrupção da armação, dedicava-se à pesca com rede de malha, na costa espanhola, com a embarcação «Gonçalinho».

Numa destas jornadas, com cerca de 17 anos, Rogério Galhardo, no regresso de Punta Umbria, foi apanhado num forte vendaval. O casco do barco cedeu, seguindo-se momentos de angústia ao tentar retirar água borda fora para que o barco não se afundasse. A tripulação foi socorrida por um arrasto espanhol que a encaminhou até à barra da Ilha Cristina.

Adquiriu anos depois o seu primeiro barco, «Roberto», seguindo-se a compra de uma embarcação de maior porte que o permitia fazer faina, na costa espanhola. Por contrariedades da vida e, dada a crise do setor, o abate do mar foi inevitável. Optou por uma embarcação um pouco mais pequena, que se mantém até hoje.

“A autarquia comemora, uma vez mais, esta data com o intuito de enaltecer a profissão e reconhecer a importância que este setor representa na economia local, regional e nacional”, refere-se, em comunicado.

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