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Faro propõe requalificação urbana e centro de investigação para zona do cais comercial

Projeto para zona do cais comercial

Uma componente de requalificação urbana, com marina e hotéis, e um centro de investigação marítima são as bases da proposta da Câmara Municipal de Faro para a reconversão da zona do cais comercial, atualmente inativo, que já foi apresentada à administração portuária.

“Isto é uma visão que nós temos para este espaço. É o nosso contributo. É evidente que quem tem a jurisdição pode aceitá-lo, ou não, ou até modificá-lo. A mais-valia do projeto passa pelos equipamentos e pela ligação à universidade e à investigação de ciências do mar”, declarou hoje Rogério Bacalhau, à margem da apresentação da proposta, denominada Farformosa.

A proposta foi apresentada à nova Comissão de Portos do Algarve em março e o seu futuro está dependente da decisão da administração portuária e do governo, por terem a jurisdição sobre o espaço.

O projeto, que resulta da uma parceria da autarquia com o Centro de Ciências do Mar (CCMAR), está a ser publicamente apresentado num seminário que se realiza hoje, sexta-feira, 2 de junho, na biblioteca municipal de Faro, ao longo da tarde, entre as 14:00 e as 18:30 horas, contando com a presença de representantes de potenciais investidores.

A Ria Formosa e a nova sede do CCMAR, criando um centro com capacidade para 300 investigadores, são as “pedras angulares” do projeto, que pretende dar “uma nova identidade” à zona de 18 hectares da cidade de Faro situada junto ao cais comercial.

O projeto nasceu, explicou o autarca farense, do facto de o cais comercial estar atualmente sem laboração, tendo o movimento de mercadorias cessado desde que a fábrica de cimento Cimpor suspendeu a sua atividade.

Entretanto, surgiu a possibilidade de tornar o espaço na nova sede do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, acrescentando-lhe um centro de investigação com capacidade para 300 investigadores e um aquário.

“É uma oportunidade nova para o Centro de Ciências do Mar e para a cidade. Faz-nos falta um novo espaço, que possa albergar tudo aquilo que pretendemos para constituir um polo de atração em termos de ensino e investigação a nível mundial”, disse o diretor do CCMAR, Adelino Canário.

A perspetiva da autarquia é que o investimento privado com fins turísticos - o projeto engloba três unidades hoteleiras e 400 lugares de amarração na futura marina - possa alavancar o investimento público na área de investigação.

“Temos tido contacto de muitos investidores, que, regra geral, procuram projetos junto ao mar. O espaço é público mas queremos que sejam os privados a utilizá-lo, dando contrapartidas pela sua utilização, alavancando o investimento público”, realçou Rogério Bacalhau.

Estão ainda previstos, segundo o projeto hoje apresentado, um centro de congressos, com auditório principal com capacidade para 1200 lugares, um centro de incubação de microempresas, na área da biologia marinha, e um polo de desenvolvimento da Universidade do Algarve.

O Farformosa prevê ainda a criação de uma área para residências sénior assistidas, inexistentes no distrito, “uma necessidade urgente e crescente dos dias atuais”, segundo os seus promotores.

Nas imediações da marina, funcionará também uma escola de vela e um estaleiro para reparações navais.

Este projeto de intervenção resulta de um protocolo inicial entre o município de Faro e o CCMAR, que rapidamente reuniu à sua volta outras entidades.

Segundo uma estimativa inicial dos promotores, o projeto poderá representar um investimento de 170 milhões de euros, criando mais de 1500 postos de trabalho diretos.

O presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, disse ainda que o futuro da atual zona comercial do Bom João, onde também está instalado um bairro social, estará dependente do que acontecer na zona do cais comercial, embora tenha sido apresentado um esboço para sua renovação.

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