Loulé: 7 milénios nos Jerónimos

“Loulé – Territórios, Memórias e Identidades” é o tema da exposição que está patente no Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa. A ala poente do Mosteiro dos Jerónimos mostra durante o próximo ano a história do território e das gentes de Loulé.

Loulé - Territótios, Memórias e Identidades

O acervo em exposição, numa parceria entre o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu Municipal de Loulé conta com uma coleção de mais de 500 bens culturais que testemunham os últimos sete milénios de história do maior e mais povoado concelho do Algarve.

Pub

A exposição é comissariada por Victor Gonçalves, Catarina Viegas e Amílcar Guerra, da Universidade de Lisboa, Helena Catarino, da Universidade de Coimbra e Luís Filipe Oliveira, da Universidade do Algarve.

Os responsáveis científicos organizaram uma exposição que revela a ocupação humana do território louletano desde a Pré-história à Idade Média com um acervo proveniente de várias instituições do país, que para além de constituir um rico legado arqueológico, revela a relação umbilical que o Museu Nacional de Arqueologia tem com Loulé e o Algarve.

Loulé - Territórios, Memórias e Identidades

Esta exposição, destinada a um público nacional e internacional, revela o território do atual cvoncelho de Loulé, através das coleções do Museu Nacional de Arqueologia provenientes deste Concelho, incluindo a designada coleção “Estácio da Veiga”, do acervo do Museu Municipal de Loulé, da Vilamoura World/Estação Arqueológica do Cerro da Vila e dos espólios de escavações mais recentes, nomeadamente resultantes de intervenções na área urbana.

Exposição com peças únicas

Cronologicamente a exposição está balizada entre os mais antigos vestígios da ocupação humana no atual Concelho de Loulé e 1384, data das mais antigas Atas de Vereação conhecidas em Portugal.

Pub

Loulé - Territórios, Memórias e Identidades

Luís Filipe Oliveira, um dos cinco Comissários Científicos da mostra, destaca características únicas do concelho.

Loulé, em particular, tem peças únicas, como a Ata de Vereação mais antiga que se conhece em Portugal. A vila tinha uma diversidade social particularmente importante, com cristãos, judeus e muçulmanos a viverem em conjunto e a participarem nas assembleias concelhias como membros de pleno direito, com opinião e poder de decisão até ao século XV.

A exposição mostra a diversidade de paisagens, território e gentes. Uma história multisecular, com uma relação profunda com o Mediterrâneo e o Norte de África, mas também com a Europa Atlântica. O Algarve e Loulé sempre foram ponto de passagem.

O principal acontecimento cultural dos últimos 50 anos

“Loulé – Territórios, Memórias e Identidades” é uma exposição a pensar em todos. Uma homenagem às gentes de Loulé e do Algarve mas também uma montra para público nacional e internacional.

Simbolicamente, os primeiros a visitarem a exposição foram alunos das escolas do concelho de Loulé.

Loulé - Territórios, Memórias e Identidades

Durante o ano em que decorre a exposição é nosso objetivo trazer a Lisboa o maior número possível de louletanos e todos os alunos das escolas do concelho.

Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, salientou ainda a importância do espólio.

Estão aqui as “chaves” de todos os períodos históricos. A mostra começa com duas espécies de anfíbios com mais 200 milhões de anos. Esta mostra só podia acontecer nos Jerónimos, pela sua importância e simbolismo. Pela riqueza e conceção da exposição pensamos que reunimos as condições para algo único. É o acontecimento cultural mais importante de Loulé nos últimos 50 anos.

Homenagem aos “Achadores e Guardadores”

No fundo da sala, num fundo negro, surgem fotos a preto e branco. Rostos de alguns dos “Achadores e Guardadores” que durante décadas zelaram pelas peças que foram reunindo e guardando carinhosamente. Peças que hoje se mostram nos Jerónimos.

Pub

O executivo de Loulé deixou  a sua homenagem

Não nos esquecemos dos “Guardadores e Achadores”. Aqueles que antes de nós nos devem hoje merecer uma atenção muito especial. A exposição mostra isso. Durante muitas décadas guardaram em suas casas muitos artefactos que hoje estão aqui. São dignos do nosso agradecimento.

Por ordem cronológica, são apresentados seis núcleos - Pré-história, Proto-história, Romano, Antiguidade Tardia, Islâmico e Medieval - ficando para o fim o núcleo Identidades, o qual mostra os rostos de achadores, cuidadores e doadores de bens culturais de Loulé.

Loulé - Territórios, Memórias e Identidades

Ao todo, foram inventariados 1200 bens culturais para a realização desta exposição, dos quais 504 bens foram selecionados e 166 restaurados.

Os bens culturais provêm de 12 instituições distintas, entre as quais se destacam o Museu Municipal de Loulé e o Museu Monográfico do Cerro da Villa – em Vilamoura – que emprestam mais de 80% das peças à exposição, às quais se juntam o Museu Nacional de Arqueologia, o Arquivo Municipal de Loulé, a UNIARQ – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Museu Municipal de Faro, o Museu Municipal da Figueira da Foz, o Museu Municipal de Arqueologia de Albufeira, o Museu Municipal de Arqueologia Silves, a Universidade do Algarve, a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova e o Museu da Lourinhã.

As peças vão estão expostas em 10 vitrinas e nove ilhas, divididas em três secções e oito núcleos, sendo de realçar que o núcleo Território apresenta o concelho na sua diversidade entre o litoral, a serra e o barrocal.

Loulé - Territórios, Memórias e Identidades

Para além das vitrinas e das ilhas, distribuídos pela galeria do Mosteiro dos Jerónimos, de este para oeste, estão colocados 8 LCD’s que dão informação detalhada sobre os vários núcleos, bem como duas molduras digitais que colocam em destaque cada um dos dois conjuntos de moedas que são apresentados.

“LOULÉ. Territórios, Memórias, Identidades” é um “Portugal em miniatura” que espelha a história de Portugal, da Península Ibérica e da Europa. Um verdadeiro ponto de partida para uma viagem obrigatória até Loulé para descobrir o concelho e os seus tesouros mais bem guardados, como o Castelo de Salir, o Cerro da Villa e o Centro Histórico da cidade.

 

Pub
Mais em Artes & Espetáculos
Albufeira: Dia do Autor Português com “21 poetas para o sec. XXI”

É com o “Recital de Poesia XXI: 21 poetas para o século XXI” que Albufeira…

Alunos de artes expõem em Quarteira

“Identidades – exposição dos alunos de Artes Visuais do Agrupamento Drª Laura Ayres” é o…

teatromosca
Faro: teatromosca leva «Maridos» ao CAPa no final de maio

Maridos», uma criação de Pedro Alves a partir do filme homónimo de John Cassavetes, produzida pela companhia teatral teatromosca, vai passar

Nelson Conceição
Acordeonista Nelson Conceição lança livro com obra transcrita do álbum «Descobrindo-me»

O acordeonista e compositor algarvio Nelson Conceição vai lançar o livro com a obra transcrita do álbum discográfico «Descobrindo-me»,