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Faro: Plano propõe relocalização da linha ferroviária e estação multimodal no Patacão

O Plano de Mobilidade e Transportes (PMT) para o concelho de Faro, apresentado ontem, quarta-feira, propõe a criação de uma interface multimodal, no Patacão, a relocalização da linha ferroviária para um corredor a norte da cidade e uma rede ciclável.

Estas são apenas três das 60 propostas, divididas por sete temas, incluídas no documento, não vinculativo, que pretende ser um guia orientador de possíveis ações a realizar no futuro, estabelecendo “uma estratégia de intervenção” nas acessibilidades e mobilidade do concelho.

A sessão de apresentação do PMT, já disponível para consulta online através de um micro-site acessível a partir da página da autarquia, teve lugar na biblioteca municipal de Faro, contando com a presença do presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, da vereadora Teresa Correia e dos técnicos responsáveis pela elaboração do plano, liderados por Paula Teles.

O documento, elaborado em articulação com o Plano Diretor Municipal (PDM), que também está em revisão, define ações e medidas para a implementação de “um modelo de mobilidade mais sustentável”, em que o automóvel deixa de ser a principal figura.

A grande proposta, visando a necessidade de aproximação da cidade à Ria Formosa, passa pela relocalização da atual linha de caminho-de-ferro para um corredor a norte da cidade, aproveitando a atual linha para criar um meio de transporte “menos intrusivo”, como o metro de superfície, que poderia depois ter ligação ao aeroporto e ao campus de Gambelas da Universidade do Algarve.

Servindo de ponto de confluência entre os diferentes meios de transportes, o plano aponta para a criação de uma interface multimodal de nível regional, próximo do Patacão, mas do outro lado da EN125.

O espaço, servindo os transportes rodoviários e ferroviários, com um grande parque de estacionamento e um ponto de «bikesharing» (partilha de bicicletas), permitiria “conectar a região entre si mas também com o resto do país”.

A bicicleta é, de resto, uma das apostas do plano, definindo uma “rede ciclável coerente e articulada” no concelho, com a implementação de 40 quilómetros de ciclovias e 13 pontos de «bikesharing».

O PMT propõe também a criação de uma ponte pedociclável entre o Montenegro e o parque ribeirinho de Faro, “uma construção sustentável e pouco intrusiva na paisagem”, que permitisse reduzir o tempo de deslocação entre a sede de concelho e a freguesia.

A diminuição do tráfego automóvel em circulação no centro da cidade também é um dos objetivos, com a criação de mais áreas pedonais, a implementação de zonas com velocidade máxima de 30 km/hora e um conjunto de parques dissuasores localizados em pontos estratégicos.

A iniciativa de apresentação, que marcou a conclusão da segunda de três fases do plano, contou também com a participação de dezenas de munícipes e representantes das entidades oficiais que, ao longo dos últimos três anos, contribuíram para a elaboração do documento.

No total, informou o autarca farense, Rogério Bacalhau, cerca de 1000 pessoas contribuíram para a elaboração do documento, 650 das quais através da resposta a um inquérito sobre as opções de mobilidade dos cidadãos do concelho.

O plano está aberto a discussão junto das diversas instituições, agentes e à sociedade civil em geral, acessível no sítio http://pmtfaro.mobilidadept.com. Os cidadãos podem contribuir para a construção da versão final, na terceira fase do processo, que deve estar concluído até final do ano.

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