Faro: Teoria do roubo do Pentateuco pelos ingleses “não é clara”, diz especialista

A teoria de que o Pentateuco terá sido levado de Faro pelos ingleses “não é clara”, disse um especialista durante o colóquio «Pentateuco: comemoração dos 530 anos de livro impresso em Portugal», realizado na passada sexta-feira, na capital algarvia.

“Havia a noção de que o Pentateuco poderia estar ligado ao roubo dos livros pelo Conde de Essex em Faro, mas não há nenhuma documentação nem na Bodleian Library nem no resto da literatura que associe o Pentateuco a este conjunto de livros. Uma hipótese de trabalho é o livro ter sido levado por alguém, algum judeu que tenha emigrado, obrigado ou por vontade própria e acabar por ir lá parar. Pode ser verosímil!”, argumentou Rui Loureiro, do Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes e do Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

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O Pentateuco, primeiro livro impresso em Portugal, há 530 anos, na tipografia de Samuel Gacon, terá sido levado no famoso saque britânico de 1596, liderado pelo aristocrata e corsário inglês Robert Devereux, 2.º Conde de Essex.

No colóquio estiveram presentes vários especialistas em literatura e imprensa e, para além da discussão sobre o Pentateuco, houve também um debate sobre a possível criação de um Museu de Imprensa no Algarve na antiga tipografia farense União.

Patrícia de Jesus Palma, dinamizadora do colóquio, promete mais novidades sobre o tema em 2018, quando se completarem os 210 anos sobre a reintrodução da tipografia no Algarve.

“Deve ter uma construção coletiva, interinstitucional e multidisciplinar. Acredito que reunimos no Algarve uma oportunidade única para a musealização da tipografia União. Além do parque gráfico há um importante espólio documental que nos conta a história da imprensa. Esta tipografia, constituída em 1909 pela Diocese do Algarve, insere-se numa autêntica cidadela do conhecimento, uma cidadela espiritual que pode ser percorrida através deste património e destas memórias”, sustentou a investigadora.

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O projeto conta com o apoio da direção regional da Cultura do Algarve. “Não sabemos o futuro sobre as tecnologias no suporte à escrita mas a escrita como meio de comunicação tem um passado a relembrar em Faro e no Algarve. Este modelo pode significar uma nova centralidade na dinâmica da vida cultural e intelectual do Algarve”, adiantou a diretora regional de Cultura, Alexandra Gonçalves.

Também o presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau, se manifestou satisfeito com essa possibilidade, por comprovar que o Algarve não é uma região subalterna do ponto de vista cultural.

“A Câmara de Faro está disponível para colaborar em tudo aquilo que estiver ao seu alcance, nomeadamente na arquitetura e especialidades e também com a museologia”, garantiu o autarca.

A musealização da tipografia poderá contar com o apoio de alguns dos seus antigos tipógrafos, ainda vivos, para colocar o prelo e o projeto de formação e conhecimento em movimento.

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