Exactissimamente: “Turistas à parte” !

Miguel Esteves Cardoso (MEC) escreve hoje no Público, na sua habitual rubrica intitulada "Mais de Miguel Esteves Cardoso", uma Opinião interessantíssima que não resistir em publicá-la.
Apenas a reproduzo, e de forma integral, porque a considero como já referi "interessante" na perspetiva do que se passa no mês de agosto na nossa região, deixando para o leitor as considerações ou simplesmente o que o seu raciocínio lhe suscitar, numa alusão à vida dos que trabalham e vivem 365 dias por ano nesta terra.

Eis a prosa de MEC:

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«Um leitor algarvio, doente oncológico que mora a 4 quilómetros de Almancil, escreve-me a contar que durante o mês de Agosto há tantos turistas que é impossível estacionar o carro para ir à farmácia. Nos supermercados é raro haver pão fresco, água engarrafada e alimentos para os animais.

Ele não tem nada contra os turistas que gastam dinheiro no Algarve mas insurge-se contra aqueles que vão para lá fazer poupanças, trazendo de casa "tanto o bacalhau como as batatas".

Porque é que não há lugares de estacionamento para pessoas doentes e para moradores? Porque é que não há uma caixa para os habitantes locais? Desde quando é que é justo que os turistas que passam lá pouco tempo tenham os mesmos direitos do que as pessoas que lá vivem todo o ano?

É esta a pergunta que tem de ser feita. A multidão de turistas queixa-se da multidão mas já sabe ao que vai e, de qualquer modo, pode ir para outro lugar - ou voltar para casa. Já os algarvios que vivem no Algarve não têm para onde fugir - estão presos. E mesmo aqueles que têm para onde fugir, porque é que hão-de fugir, se estão na terra deles?

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Os habitantes têm direito de passar à frente dos turistas? Há bons argumentos de ambos os lados. Eu acho que têm, até por serem clientes durante todo o ano. Qual é o turista que nunca sentiu o desconforto de estar a atrasar a vida às pessoas locais? Não seria desculpabilizador fazer bicha com outros turistas e tentar minimizar o incómodo que causamos à população local? Estamos muito atrasados.» (sic)
Por Miguel Esteves Cardoso

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