"Viviane Canta Piaf"

Entrevista: “Viviane Canta Piaf” – a reinvenção de uma voz maior

Já está disponível o novo disco de Viviane, inteiramente dedicado à obra daquela que a cantora considera ser “uma voz maior”.

“Viviane Canta Piaf” é um álbum inteiramente dedicado à obra da intérprete francesa, no qual Viviane reinventa as canções que marcaram a carreira de Edith Piaf.

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"Viviane Canta Piaf"

Em 2016, o Teatro Municipal de Faro lançou a iniciativa “Artista Figuras”, sendo Viviane a primeira escolhida.

O concerto alcançou um sucesso tal que Viviane decidiu gravar alguns dos temas, no CD ”Viviane canta Piaf “, agora no mercado.

O DiariOnline Região Sul conversou com Viviane, numa entrevista exclusiva, onde a cantora, residente no Algarve, revelou algumas das suas motivações, desejos e sentimentos.

"Viviane Canta Piaf"

Porquê Edith Piaf?

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O reportório de Edith Piaf é um reportório com o qual eu me identifico bastante e que gosto imenso de cantar. Ao mesmo tempo dou a conhecer uma faceta diferente da minha voz às pessoas. Foi assim que surgiu este disco.

Vamos cantar em francês?… não é comum...

Comentava isso há pouco com um amigo… a cultura francesa perdeu-se bastante em Portugal. Teve o seu auge. Hoje em dia está muito em voga a cultura anglo-saxónica. A indústria discográfica impôs-nos um bocadinho essa cultura musical. Ouve-se muito mais o inglês… o francês quase não se ouve falar.

Viviane

O francês perde-se na memória…

Algumas pessoas com mais idade lembram-se de um Léo Ferré ou Charles Aznavour… dos grandes. Mas a cultura e a língua francesas estão muito pouco em voga em Portugal. Por isso é que isto é giro… voltar a chamar a atenção!

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Isto é voltar um pouco às raízes… ao inicio de tudo.

Eu nasci em França e vim para Portugal aos 13 anos. Na minha adolescência a Edith Piaf não tinha o peso que passou a ter mais tarde. É um pouco como o Fado! Não se costuma gostar de Fado antes dos 20 e tal, 30… Com alguma maturidade vamos entendo as letras, o sentimento…

Quando vim para Portugal comecei a cantar Piaf por brincadeira e a sentir o efeito das canções.

É um reportório com o qual me identifico muito. Para mim é natural gravar estas canções.

Vir de Nice (para o Algarve) com 13 anos… marca a adolescência?

É… Era outra cultura, outro país!

Fui viver para casa do meu avô. Era uma casa antiga. Deixei os amigos para trás… foi um corte muito radical.

Passado algum tempo comecei a entender as vantagens. Comecei a conhecer pessoas ligadas à música e a compreender que o panorama em Portugal era interessante. Apaixonei-me pelo Zeca Afonso. Passava os dias ouvi-lo! Trovante, GNR, Mler Ife Dada…

Apaixonei-me pela música portuguesa!

Foi chegar aqui numa altura em que a música portuguesa estava na moda. Havia um “boom”…

Exatamente!

Eu até comecei na escola num projeto de música tradicional. Depois, com o Tó Viegas, decidimos juntarmo-nos com o Janaca e o Luís Fialho e começar a compor para concorrer ao Concurso de Música Moderna da Câmara Municipal de Lisboa. Era um estilo Pop Rock..

Estamos falar dos Entre Aspas.

Sim. Os Entre Aspas…

Foi uma experiência muito boa que meu deu um grande conhecimento. Foi bom enquanto durou. Depois começou a apetecer-me fazer outras coisas.

Para se chegar a este ponto é preciso o quê? Maturidade? Caminho para se poder arriscar?

É… É sim!

É preciso maturidade porque isto não é um reportório nada fácil de cantar. É preciso uma grande elasticidade na voz para se conseguir fazer isto.

"Viviane Canta Piaf"

Não é de ânimo leve…

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Isto às vezes sai das entranhas!

Não só é exigente em termos vocais como a responsabilidade de estar a interpretar canções de uma voz maior.

Sempre tive um pouco de receio de gravar este disco, mas agora acho que chegou a altura em que tenho alguma legitimidade para o fazer.

(Nós) Crescemos a dizer: Aí o panorama musical português. Ele mudou?

Tudo muda!

Tudo muda mas continuam a surgir projetos musicais fantásticos em Portugal. Eu sigo sempre o que se passa, as novas bandas, e há coisas muito boas. Nós (portugueses) somos excelentes músicos.

É pena é a indústria não acompanhar como devia. Cada vez temos menos editoras. Os músicos têm de fazer praticamente tudo sozinhos. Eu vejo por mim. Cada vez é mais assim.

Eu comecei numa editora na qual só me preocupava em compor e dar concertos. Hoje em dia tudo passa pelos artistas.

Desse ponto de vista tudo mudou!

O que é que falta?

Devia haver mais concertos!

A generalidade dos músicos tem dificuldade em sobreviver apenas da música. Muitas vezes os artistas têm um emprego e fazem música por “hobie”.

É muito difícil sobreviver apenas da música!

Os discos hoje em dia servem para promover os concertos?

Os discos continuam a ser importantes. São um “cartão-de-visita”. É preciso fazer tudo para promover o nosso trabalho e tentar alcançar outros palcos.

Viviane

Onde é que vamos poder ouvir este trabalho ao vivo?

O disco saiu agora e está a ter boa recetividade. Mas marcado, marcado… com este reportório… curiosamente só tenho concertos agendados para a Lituânia (gargalhada!).

Tenho feito alguns concertos lá e vou em agosto com o “Viviane Canta Piaf”.

E em Portugal?

Em Portugal, estamos a trabalhar. Espero conseguir mostrar este trabalho ao vivo um bocadinho a todo o país. É um concerto muito emocional, que não deixa ninguém indiferente. Estou desejosa por mostra-lo ao maior número possível de pessoas.

O facto de ser em francês pode servir de “trampolim” para uma maior internacionalização?

Eu acho que sim.

Queremos levar este espetáculo ao maior número de salas. Ser for fora de Portugal, melhor ainda!

Quem são os companheiros de viagem?

Isso é importante (risos).

Temos o Filipe Valentim no piano, o Tó Viegas nas guitarras acústica e portuguesa. O João Gentil é o acordeonista. O Bruno Vítor gravou o contrabaixo e o João Vitorino as guitarras elétricas.

Misturamos a guitarra portuguesa e as guitarras elétricas. Demos uma roupagem diferente aos originais. De outra forma não teria muita piada (risos).

Viviane

Há mais de duas décadas era possível imaginar o dia de hoje?

Não! Mas eu gosto de deixar as coisas fluírem. As coisas devem ser concretizadas à medida da vontade que temos, o que é mais natural.

O facto de ter o meu próprio estúdio de gravação joga a meu favor. Não dependo de ninguém para gravar o que quiser gravar.

Isso é uma grande independência!

Foi tudo produzido no Algarve…

No Algarve. Em Olhão (gargalhada)...

Para ouvir “Viviane Canta Piaf”

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