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Sociedade Recreativa Artística Farense reconhecida como entidade de interesse histórico e cultural

O reconhecimento da Sociedade Recreativa Artística Farense (SRAF) como entidade de interesse histórico e cultural, após requerimento apresentado pela associação, foi aprovado, por unanimidade, na reunião de câmara de Faro realizada na passada segunda-feira.

De acordo com a autarquia farense, a decisão de reconhecimento à associação, também conhecida entre a população como «Os Artistas», está agora sujeita a um período de consulta pública pelo período de 20 dias.

Recorde-se, a publicação da lei n.º 42/2017, de 14 de junho, com base na qual a associação assenta o seu pedido, veio estabelecer o regime de reconhecimento e proteção de estabelecimentos e entidades de interesse histórico e cultural ou social local.

“Após análise efetuada pela autarquia, verificou-se o cumprimento dos critérios previstos na referida lei, tornando a Sociedade Recreativa Artística Farense merecedora do referido estatuto”, assinala o executivo liderado por Rogério Bacalhau.

Uma das coletividades mais tradicionais do concelho, fundada em 1906, a SRAF constitui-se como um local único em Faro, tanto na vertente de programação de atividades culturais e recreativas como na manutenção de uma identidade transversal às componentes histórica, cultural e social.

A sua fundação está ligada ao Montepio dos Artistas de Faro, existente desde 1856. Esta associação prestava diversos serviços sociais e de solidariedade, tais como assistência médica a preços económicos, pensões de morte e invalidez.

Em 1906, o Montepio dos Artistas sentiu necessidade de proporcionar aos seus associados outras atividades ligadas à cultura e ao recreio, fundando então a Sociedade Recreativa Artística Farense, cedendo-lhes parte das instalações (1.º andar do n.º 10 da Rua do Montepio).

Tornou-se, assim, o palco para eventos de teatro, canto, dança, música, literatura e cinema. Para além destas, sempre se organizaram festas, convívios e reuniões sociais neste espaço. Reunia artesãos e artífices do concelho e tinha uma vertente eminentemente popular, em contraponto aos mais exclusivos Club Farense e Ginásio Clube de Faro.

Nos seus 111 anos de existência, esta associação contribuiu para o enriquecimento do tecido cultural do município, facto reconhecido pela câmara, que lhe atribuiu no ano do seu centenário (2006) a Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro.

A SRAF, declarada pessoa coletiva de utilidade pública em 25 de junho de 2010, é uma associação cultural e recreativa que se distingue pelo seu dinamismo, tendo atividade contínua em diversos domínios: artes performativas, exposições, cinema, conferências, workshops, aulas de dança, entre outros.

“A participação nas atividades é elevada, abrangendo sócios e não sócios. Tem sabido inovar e introduzir alguma irreverência na sua orientação cultural, a qual goza de um elevado acolhimento junto do público jovem. A sua existência constitui uma referência local, fazendo parte dos hábitos de fruição de atividades culturais e recreativas de Faro e dos seus visitantes. É também um muito apreciado local de convívio e tertúlia”, sustenta a autarquia, em comunicado.

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