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Associação de Protecção e Socorro envia carta aberta ao Presidente da República

Em comunicado enviado à nossa redacção a Associação de Protecção e Socorro dá conta de uma Carta Aberta que enviou ao Presidente da República, dando conhecimento de várias situações relacionadas com os problemas das pessoas em condição de sem-abrigo, a qual transcrevemos na íntegra.

Carta Aberta a Sua Excelência Sr. Presidente, da Republica Portuguesa – Professor – Marcelo Rebelo de Sousa

Nada de efectivo se nota na politica de resolução dos problemas das pessoas em condição de sem-abrigo.

Uma vez mais o dinheiro chega às instituições, mas isso não reflecte soluções efectivas para a maioria das pessoas sem-abrigo.

Há grávidas a dormir na rua, há doentes mentais cuja sua doença não se cura na rua, mas é na rua que eles estão porque se desinvestiu muito na saúde mental nas últimas três décadas.

O dinheiro dos nossos impostos serve para alimentar um sem número de Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), e outras Associações, geralmente inseridas e mantidas no sistema por cunha, não chegando efectivamente aqueles a quem era suposto chegar sob a forma de solução para a dignidade de vida, ou de uma vida com dignidade.

Muitos, não eram casos de saúde mental, mas passaram a sê-lo, porque viver na rua é um factor desencadeante de alterações psíquicas de ordem diversa.

O Estado divorciou-se das suas responsabilidades constitucionais, e dos direitos humanos, e continua a alimentar instituições que vivem às custas destes seres humanos, que um dia foram os bebés de alguém, e são hoje os filhos de ninguém.

Não têm estas pessoas sem-abrigo a sorte de ser refugiados, pois se o fossem dar-lhes íamos outras condições de permanência no nosso país. Praticamos políticas ditas sociais que nos devem envergonhar a todos.

Como nos permitimos que uma jovem de 30 anos, grávida de 6 meses, educada, com um aspecto cuidado, viva na rua, numa caixa de cartão, que crianças estamos nós sociedade portuguesa a gerar?! Porque não se apoia incondicionalmente a maternidade num país onde a taxa de natalidade cai vertiginosamente e corre o risco da sua população se extinguir?!

Com os melhores cumprimentos, e elevada estima e consideração,

A Associação de Protecção e Socorro



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