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Jornadas do Barlavento: Conclusões em síntese apontam riqueza e “adamastores”, regionalização urgente e contestação ao petróleo

ALGFUTURO comemorou 3º Aniversário associado à grande reflexão e ação de afirmação empresarial e cooperação com entidades públicas

Para garantir no Algarve maior criação de riqueza e rentabilidade empresarial, mão de obra em quantidade e qualidade, é indispensável atacar a sazonalidade e o periferismo a fundo, esta foi uma das grandes conclusões das Jornadas "ECONOMIA DO BARLAVENTO EM DEBATE", realizadas este fim de semana no Museu Municipal de Portimão, que mereceram palavras unânimes do interesse e apoio.

Outra das principais conclusões foi a demonstração da muita riqueza já produzida no Barlavento com 30 a 40% em diversos indicadores , o enorme potencial e a vitalidade associativa e empresarial, sendo também inventariados as "sombras e Adamastores" a par com "brilhos e luzes" que dão confiança no futuro. Foi apontado como relevante preparar um Programa de Promoção e Captação de Investimentos para o Barlavento.

Estiveram presentes, o Secretário de Estado das Pescas, o Reitor da Universidade do Algarve, os Presidentes da CCDR, AMAL, RTA e Câmaras, Comandantes da Marinha, GNR e PSP, Diretores do ISMAT e Instituto Piaget, altos responsáveis da Administração Central, Diretores Regionais, e 25 Presidentes de Associações, tendo a UALg estado em força, com o Reitor Paulo Águas, cinco Moderadores, o Diretor da ESGHT e o Presidente da AAULg.

Foi feita uma Cerimónia de Homenagem à Campeã Mundial de Bodyboard, a algarvia Joana Schenker, e também feitas  homenagens ao falecido Presidente da Câmara de Albufeira; e ao ex- empresário e cidadão de referência, o portimonense António Cândido Glória que, para lá de outras virtudes, juntamente com o agora Presidente da ALGFUTURO teve papel importante na organização de Jornadas do género realizada há quase duas décadas.

Para o conjunto do Algarve, estiveram sobre as mesas dos seis Painéis com meia centena de oradores e uma plateia de cerca de duas centenas de participantes a sazonalidade, periferismo, regionalização, exploração de petróleo, fundos comunitários, formação profissional, mão de obra, inovação, saúde, capital, etc.

Analisada a extrema sazonalidade da economia algarvia e periferismo e, o facto do Barlavento ser o "periferismo do periferismo", foi tirada à conclusão que os problemas de décadas nas infraestruturas rodoviárias, ferroviárias e ligações marítimas agravam a atividade empresarial.

As medidas tomadas para atenuar a sazonalidade no turismo na época baixa têm bons resultados, mas precisam ser complementadas com programas estruturais. Por outro lado, foi considerado de urgência absoluta a descentralização de nível regional (regionalização) no Algarve, com competências próprias, órgãos eleitos e um Conselho Económico-Social.

Foi louvada a intenção do Governo avançar com um projeto embrionário, criticadas as forças que o atacam sem nada de concreto proporem e feito apelo à Assembleia da República para desbloquear tão profunda inconstitucionalidade, mesmo avançando por fases.

Na mobilidade rodoviária foi considerado vital abrir a porta em "via verde de livre trânsito" aos residentes no Algarve e Andaluzia nos movimentos entre regiões, para que os 8,5 milhões de andaluzes sejam visitas e consumidores frequentes. Eles são os nossos vizinhos, com Huelva e Sevilha mais próximo que Lisboa, e Málaga e Córdova 200 quilómetros mais perto que o Porto.

Na ferrovia, a ligação à Europa pelo sul ibérico tem que avançar e nas ligações marítimas melhorar rapidamente o porto de Portimão e operacionalizar Faro, para tráfego de lazer e carga.

Mereceu veemente contestação a eventual abertura de um furo para exploração de petróleona Costa Vicentina.

Face à tremenda competitividade empresarial e entre Cidades e países, exortaram-se todos os agentes a terem como bitola das suas práticas a excelência, com apostas fortes na inovação, diversificação do tecido produtivo, plano integrado para o interior e serra, forte esforço promocional do que de bom temos, etc.

Foi recomendado às entidades oficiais que junto de Bruxelas reclamem maior intensidade de apoios e novas políticas, dado que ao longo de 30 anos de fundos grandes desequilíbrios não foram corrigidos e o Algarve é a região NUT lll do Continente com mais baixo Indíce de Desenvolvimento Global.

Foi também referenciado que uma região em que  70% do volume de negócios das empresas é feito por consumidores não residentes, justifica-se a urgente implementação de um Plano de REQUALIFICAÇÂO Geral, no ordenamento, ambiente, sinalética, estradas, bermas, muros, limpeza e resíduos sólidos, etc, ficando tudo um brinquinho.

Perante os problemas estruturais que afetam a gestão empresarial, os empresários mereceram um voto de louvor pela capacidade em ambientes de tormenta, ao mesmo tempo que se fez uma forte condenação da economia paralela com apelo a maior fiscalização. Os problemas no setor público da saúde suscitaram grande interesse e aceso debate.

As jornadas que se realizaram no Museu Municipal de Portimão, foram uma iniciativa da ALGFUTURO, em organização conjunta com a CÂMARA MUNICIPAL DE PORTIMÃO, com a colaboração dos Municípios do Barlavento, UALG, AHETA e Agência de Desenvolvimento do Barlavento, bem como com o apoio de empresas de prestígio operando na zona.

Dando sequência à preparação e realização das Jornadas,  a  Associação ALGFUTURO em conjunto com as Associações envolvidas intensificarão a cooperação e farão um levantamento dos problemas para exposição aos poderes públicos.

Nos diversos Painéis houve importantes intervenções e intensos e profundos contributos e debates que estão a ser trabalhados pelos Moderadores, para apresentação às entidades oficiais e publicadas brevemente no site da ALGFUTURO.



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