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Desidério Silva aponta o dedo à TAP e deixa conselhos ao seu sucessor (C/Áudio)

Desidério Silva, candidato derrotado nas eleições do dia 11 de maio para a presidência da Região de Turismo do Algarve (RTA), foi o convidado da “Tertúlia dos 50”, que reuniu em Loulé. Desidério Silva fez o balanço dos 5 anos de mandato à frente do Turismo do Algarve, perante uma plateia informal.

Desidério Silva - Tertúlia dos 50

A abertura da sessão coube a Álvaro Viegas que atualmente lidera a “Tertúlia dos 50”. Álvaro Viegas fez o elogio ao trabalho desenvolvido por Desidério Silva, afirmando que a não recondução deste na presidência da RTA, foi um erro.

“Além de uma injustiça foi um erro, não se ter renovado o mandato do Desidério silva.

Dentro das hipóteses que se avizinhavam para liderar a RTA, a que foi escolhida não é francamente a melhor”, afirmou Álvaro Viegas, referindo-se a João Fernandes, eleito para o cargo até agora ocupado por Desidério Silva.

“Infelizmente são os diretórios políticos que decidem, independentemente de o "homem” em causa ter feito bem ou mal”, concluiu Álvaro Viegas.

Perante a "Tertúlia dos 50", Desidério Silva afirmou ter enterrado o assunto das eleições na RTA.

Tertúlia dos 50

“Sobre o que aconteceu na semana passada não quero dizer mais nada. É um assunto morto e enterrado. Como se costuma dizer agora há que dar corda aos sapatos”.

 

A TAP é uma “porcaria”

Desidério Silva justificou o seu mandato com os números, com o Algarve a crescer turisticamente. Lamentou, no entanto, que o Algarve seja preterido em relação a outras zonas do país.

Numa referência direta à TAP, Desidério Silva lamentou que não exista, por parte da companhia aérea nacional, um investimento maior no Algarve, nomeadamente no encaminhamento de turistas vindos de mercados emergentes.

“Temos alguns mercados emergentes, como o americano, mas não é fácil. A TAP é uma "porcaria". As pessoas ficam em Lisboa à espera de ligação para Faro”.

Para quem liderou os destinos do turismo algarvio é fundamental que a sociedade, os políticos, se unam em torno de grandes causas.

“O que nos falta é o que Lisboa e Porto têm a mais. Há tendência para valorizar umas regiões em detrimento de outras. Nós não temos força política. Além da questão do petróleo mais nenhuma causa conseguiu unir os deputados”, afirmou.

Como exemplo de causas que deveriam unir os políticos algarvios, o homem que liderou a RTA durante os últimos 5 anos, apontou as portagens na Via do Infante, claramente prejudiciais para o desenvolvimento da região.

“Não há força política. Assim é muito difícil. O rali saiu do Algarve, porque o norte garantiu 2 milhões de euros em candidaturas dos municípios. No Algarve ninguém fez nada”, lamentou.

Atenuar a sazonalidade

Para Desidério Silva, o Algarve de hoje é “substancialmente diferente” do Algarve de há 5 anos, com uma taxa de ocupação média nos 67% em 2017 e com maior crescimento na época baixa.

Desidério Silva frisou a diversificação da oferta turística potenciada pela RTA, como a oferta no turismo de natureza.

Tertúlia dos 50

Como exemplo deu o programa cultural 365 Algarve, que no inicio não incluia municípios como Alcoutim e Aljezur e que, com algum trabalho e insistência, por parte da RTA, acabou por abranger os concelhos mais limítrofes.

Um trabalho nem sempre reconhecido.

“O Algarve de hoje não tem nada a ver com o Algarve de há 5 anos. Tive muitos elogios públicos de autarcas que agora, deram-me um abraço, e enfim….”

Desidério Silva promete continuar a ser uma voz ativa em prol dos interesses do Algarve e deixa alguns “conselhos” ao seu sucessor.

“Espero que o meu sucessor não se sinta condicionado e perceba o importante que é intervir. Uma marca desfaz-se num dia, mas leva muito tempo a construir”.



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