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diariOnline TV: Francisco Amaral “Eu espero que esta oposição um dia acorde e tenha consciência do que está a fazer…”

Francisco Amaral - Presidente da Câmara Municipal de Castro Marim

A Casa do Sal em Castro Marim foi pequena para acolher todos quantos quiseram assistir à Sessão Solene das Comemorações do Dia do Município, a qual decorreu ontem pelas 11 horas, com pompa e circunstância, iniciada com uma interpretação musical da Banda Musical Castromarinense, como sendo o primeiro ato oficial com o novo fardamento, pago integralmente pela Câmara Municipal.

O presidente da Câmara Municipal, Francisco Amaral, no seu discurso voltou a exaltar a forma de estar da oposição (PS), que se pauta pela falta de bom senso e hombridade, travando o crescimento do Município, como se pode constatar na entrevista em exclusivo, que o presidente concedeu ao jornal diáriOnline Região Sul após a cerimónia.

Do discurso de Francisco Amaral, extraímos alguns excertos, que pode ler a seguir, nos quais pode constatar o quanto o executivo quer fazer o concelho progredir, mas que por força da vontade da oposição, vai andando devagar devagarinho.

"Passada que foi a época de crise instalada no país, que se fez sentir sobremaneira neste concelho com um desemprego avassalador, com muitas famílias com graves carências socioeconómicas, algumas em aflição extrema e que nos levou a canalizar as atenções e os meios para esta situação de emergência social. Por outro lado, perante o cenário de 57 povoações sem água potável, orientámos também a nossa atenção para a resolução desta carência tão essencial à vida humana.

Criámos um programa de combate ao tabagismo, que além dos benefícios evidentes na área da saúde, aumentou significativamente a poupança económica de mais de duas centenas de famílias, muitas delas carenciadas.

O estado degradante de muitas ruas e estradas deste concelho foi também uma das prioridades deste executivo. Daí termos pavimentado todas as ruas da Junqueira e do Monte Francisco. A estrada de acesso à Praia Verde, uma estância balnear de grande qualidade, a entrada da Quinta do Sobral, a rua 25 de Abril e Dr. Alves Moreira, na vila de Castro Marim, as estradas da Casa Alta e dos Corvinhos, a Rua da Arrancada, prometida há mais de 20 anos e que inauguramos hoje, e outras mais.

Quando iniciámos o primeiro mandato estávamos numa fase inicial da construção da estrada dos Fortes, no valor de quase 4 milhões de euros, e que nos consumiu as receitas arrecadadas nos primeiros anos. Realizámos as obras possíveis com os poucos meios de que dispúnhamos.

Por exemplo, esta obra onde estamos hoje e que tem uma dinâmica cultural nunca vista em Castro Marim." disse o edil castro-marinense.

"Requalificámos os mercados de Castro Marim e Altura. Construímos o edifício multifuncional de empresas. Construímos o Centro de Intervenção, Desenvolvimento e Apoio à Freguesia de Odeleite e requalificámos a Igreja.

Já pagámos a quase totalidade do custo da Unidade de Cuidados Continuados no Azinhal, que estava em dívida.

Avançámos com os projetos de requalificação e pavimentação das ruas nas aldeias de Odeleite e Azinhal, que avançarão para obra dentro de pouco tempo.

Estamos a avançar com projetos parcelares de renovação da rede de água e saneamento básico na sede do concelho, cuja rede está completamente obsoleta, com mais de 50 anos e que diariamente rompe.

Estamos a terminar, dentro de poucos dias, a habitação social de Altura, cuja obra foi iniciada há uma dúzia de anos. Do mesmo modo, esperamos, dentro de poucos meses, desenvolver um programa para construção de habitação social, que tanta falta se faz sentir nos dias de hoje.

Esperamos que, com a instalação da água potável domiciliária nos montes do concelho, tal como com rede de telemóvel e acesso à internet por cabo, se criem condições para a fixação de casais jovens e assim consigamos combater a desertificação e o despovoamento de um modo eficaz.

O regulamento da ação social necessita de ser revisto nos mais diversos capítulos, para que se torne mais abrangente e criterioso, apoiando os munícipes e as famílias que necessitem mesmo. Seja no apoio à natalidade, como no apoio ao arrendamento, como no apoio à medicação para doenças crónicas, no apoio aos alunos, entre outros. Para o efeito, é importante a disponibilidade, a boa vontade e o bom senso da oposição, para nos sentarmos à mesa, sem desconfianças ou preconceitos partidários, e nos entendermos para bem dos castro-marinenses mais necessitados.

Iniciámos a realização de novos projetos de ciclovias. A ligar Castro Marim a Vila Real de St. António, cuja obra está financiada e em adjudicação. E a ligar Castro Marim à Praia Verde. Vamos realizar ainda projetos de ciclovias a ligar a vila de Castro Marim ao Monte Francisco, Junqueira e à Reserva Natural do Sapal. Realizámos dois projetos de áreas de autocaravanismo uma para Altura e outro para Castro Marim, já com garantias de financiamento.

Desenvolvemos um projeto para um Centro de Atividades Náuticas na Barragem de Odeleite, já com garantia de financiamento, cuja obra já poderia estar concluída e que aguardamos a toda a hora a concordância da maioria da oposição, para que não deixemos perder esta verba.

Uma obra, também com a garantia de financiamento a 100%, estará em condições de avançar e custará cerca de 1 milhão de euros. Refiro-me à rede de rega da várzea da Ribeira de Odeleite. Esperamos também que tenhamos condições para avançar.

O Lar de Altura, uma obra iniciada e parada há uma dúzia de anos. Finalmente, com o apoio técnico e financeiro do município, a associação Cegonha Branca está a levar a cabo tão importante benefício para a população idosa daquela freguesia e do concelho, em geral.

Também em Altura, requalificámos o recreio da escola e estamos a iniciar o projeto de requalificação da Rua da Alagoa. Criámos um projeto de requalificação da envolvente da Casa do Sal, que prevê a ampliação do parque de estacionamento com arranjo paisagístico, assim como a criação de condições dignas para a realização dos mercados mensais. Esta obra já tem a garantia de financiamento e aguardamos há mais de 6 meses a concordância da oposição para poder avançar. É importante acabar com esta situação 3ª mundista no centro da sede de concelho também e é importante não perder os fundos comunitários." prosseguiu Francisco Amaral.

"Perante o cenário, quase dantesco, da água fornecida em fontenários nunca ter sido analisada, passamos a realizar periodicamente essa análise e colocámos, pelo menos, uma troneira de água potável em todas as povoações. Simultaneamente, vamos colocando água domiciliária potável nos montes.  Já o fizemos em Cerro do Enho, Campeiros, Alcarias Grandes, Cabeço da Junqueira, Monte Novo, Nora Nova, Nora Velha, Casa Nova, Monte das Pereiras e Alta Mora, Corte Gago e Fernão Gil.

Por outro lado, já decorrem duas empreitadas no valor de mais de 3 milhões de euros, que irão levar água potável a mais de 30 povoações: Piçarral, Eira Grande, Sentinela, Murteira de Baixo, Murteira de Cima, Portela Alta de Baixo, Portela Alta de Cima, Quebradas, Casa Branca, Choça Queimada, Brenhosa, Corujos, Eira Verde, Casa Velha, Corte Pequena, Monte de Baixo Grande, Monte de Baixo Pequeno , Monte de Cima, Fernão Gil, Alfarrobeira, Vales, Monte da Estrada, Alta Mora (Cerro/Lagoa), Nora, Alcaria da Arraia , Magoito, Eira do Vale, Pernadeira, Funchosa de Cima, Funchosa de Baixo, Casas Novas e Cabacinhos.

Reforçámos o abastecimento de água ao Rio Seco e neste momento preparamo-nos para chegar ao Pisa Barro e às povoações adjacentes.

Na área do desenvolvimento económico e partindo do princípio que Castro Marim é a única sede de concelho no Algarve sem uma unidade hoteleira, alienámos um terreno na vila para construção do Hotel de 3 estrelas cuja obra se iniciará muito em breve. Tal como se prevê para breve o início de um outro hotel ecológico na Maravelha, com capacidade para 70 camas. Por outro aldo, perspetiva-se o re-arranque de outros investimentos turísticos como a Verdelago, Quinta do Vale, Retur e Almada de Ouro. Qualquer destes seis investimentos privados serão geradores de muita riqueza e emprego.

Somos o único concelho no país que não tem quartel de bombeiros. Neste momento, já possuímos um posto do INEM no Azinhal, com a presença permanente de vários bombeiros.  Estamos a avançar com uma estrutura de bombeiros no Azinhal, mais direcionada para a formação, com o valor de cerca de meio milhão de euros e já garantido o financiamento.

Há 4 anos e meio erámos o município algarvio com menos funcionários autárquicos. Durante 4 anos, foram-se aposentando alguns e nesse período de tempo estivemos impossibilitados de contratar novos funcionários. Só agora tal é possível e na administração pública, infelizmente, a contratação de um funcionário não leva menos de 6 meses.

Daí toda a dificuldade que temos na limpeza de ruas e passeios, assim como na recolha de resíduos sólidos. Esperamos, dentro de pouco tempo, ter resolvido esta crónica falta de funcionários que se arrasta há décadas.

Não posso deixar de realçar e agradecer aos poucos funcionários desta câmara, orientados pelo Eng. Abílio, que têm feito das tripas coração e têm desenvolvido o trabalho possível com todo o seu esforço e dedicação.", enfatizou o autarca.

"Depois do último ato eleitoral, o povo de Castro Marim demonstrou vontade que eu continuasse a gerir os destinos deste concelho, procurando entendimento com a oposição. Foi precisamente isso que fiz, tendo o meu pedido de colaboração sido inexplicavelmente rejeitado. Tal como foi inexplicável parar o funcionamento da Unidade Móvel de Saúde e o programa de combate à obesidade. Tal como foi inexplicavelmente decidido que as reuniões de câmara passassem a semanais. Nos outros concelhos do Algarve todas são quinzenais. Tal como foram inexplicavelmente retiradas a maior parte das competências que tinha no anterior executivo, caindo no ridículo de um licenciamento de um baile, ou prova desportiva, ou licença de carrossel, ter que ir obrigatoriamente como forma de proposta ao executivo.

Infelizmente as reuniões de câmara tornaram-se inexplicavelmente uma batalha campal, com pouca ou nenhuma produção útil para Castro Marim e para os castro-marinenses. A criação artificial de obstáculos sucessivos é uma constante. A saturação dos serviços administrativos é uma realidade. O atraso nos licenciamentos urbanísticos é diário. O esgotamento de alguns funcionários está a acontecer.

Obras com garantia de financiamento correm riscos de não se realizar, como o centro de atividades náuticas, envolvente da Casa do Sal, passadiço a ligar Altura a Manta Rota, etc.

Daí, mais uma vez, apelar ao bom senso da oposição porque o que é importante é o desenvolvimento e o futuro desta terra e não os interesses ou os egos de cada um.

Temos que dar as mãos e lutar por objetivos comuns e consensuais, estratégicos de médio e longo prazo, sem descurar os dias de hoje.

Esta terra que vai do mar à serra, ao lado da nossa vizinha Espanha, tem um potencial único, gentes de qualidade e de vontade. Saibamos capitalizar e dinamizar todo este potencial.

Vontade não nos falta. Equipa também não e aqui uma referência especial a 3 pessoas que têm sido incansáveis nesta difícil gestão, a minha vice-presidente, Filomena Sintra, o meu chefe de gabinete, Dinis Faísca, e a Fernanda Sousa. Temos boas e competentes chefias nos serviços e bons funcionários.

Sinto que este concelho, apesar das naturais dificuldades e de outras artificialmente criadas, vai ter um futuro risonho, com cada vez melhor oferta turística para quem nos visita e mais qualidade de vida para quem aqui vive." finalizou o presidente da Câmara Municipal de Castro Marim.

Após o discurso do autarca, seguiu-se a atribuição de medalhas e diplomas a diversas personalidades, caso do responsável pelo Agrupamento Vertical de Escolas de Castro Marim, José Manuel Nunes, funcionários da autarquia com mais de 25 anos de serviço e atletas que representaram o concelho em diversas modalidades.

Antes da inauguração de algumas obras que ficaram concluídas, teve lugar a benção de duas viaturas, uma ambulância e um autocarro de transporte de pessoal, que entraram de imediato ao serviço no concelho.



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