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A Nova Região de Turismo: Desafios e Objectivos

* Presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve

Não é segredo para ninguém que as estruturas empresariais mais importantes do sector turístico regional se empenharam e envolveram directamente na solução encontrada para gerir os destinos da RTA nos próximos 5 anos. Porém, mais do que o envolvimento na solução eleitoral, estas forças empresariais estão sobretudo empenhadas em colaborar activamente com os novos dirigentes nas melhores soluções para o turismo do Algarve.

Sabemos que as atribuições e competências da RTA não são muitas, é verdade. Mas também sabemos a importância que estas desempenham na construção de um produto turístico de qualidade e, por conseguinte, mais competitivo e de futuro.

Postos de turismo a funcionar bem, boas medidas capazes de estruturar adequadamente o nosso produto turístico e boas estratégias de animação e promoção interna são, de facto, aspectos que não podem nem devem ser ignorados e, muito menos menosprezados, em prejuízo de atitudes e acções porventura mais mediáticas, mas menos eficazes para o engrandecimento do turismo regional, como aconteceu no passado recente.

O turismo assumiu-se, definitivamente, como o maior caso de sucesso económico e social em toda a história do Algarve. O contributo do turismo regional para a economia portuguesa, nomeadamente no que se refere à sua capacidade para produzir bens transaccionáveis é, certamente, um dos factores mais relevantes da economia do país na actualidade, sendo o turismo do Algarve, por isso mesmo, uma das actividades indispensáveis à condução das políticas macroeconómicas a nível nacional.

É por isso que, neste contexto, a actividade económica do turismo tem sido, e vai continuar a ser, um factor determinante na minimização dos impactos das crises, quer no plano social, quer na esfera macroeconómica do País.

O Algarve é também a Marca nacional com maior notoriedade no panorama internacional. Embora condicionado pela sazonalidade e, por essa via, pelos picos de negócio que se verificam apenas em alguns períodos do ano, justifica-se na actual conjuntura, mais do que nunca, o lançamento de uma campanha de promoção da imagem do Algarve enquanto grande área turística da Europa e do Mundo, tendo em vista consolidar esta mais valia da economia portuguesa,

Habituados a um período mais ou menos longo de crescimento, descurámos, ou não acautelámos, devidamente, aspectos essenciais destinados a reforçar e a consolidar a Marca Algarve, apesar de Portugal não ter uma arquitectura de promoção de marcas turísticas regionais organizada na base, de forma sustentada e entendível, no respeito pela hierarquia dos atributos de cada uma delas.

É nesta área da promoção que a RTA pode e deve desempenhar um papel crucial e onde devem centrar-se os nossos esforços, sobretudo ao nível da criação de parcerias mais inovadoras, dinâmicas e ousadas com as empresas, especialmente no que se refere ao nível da disponibilidade dos privados poderem, por um lado, co-financiar a promoção turística externa e, por outro, participarem mais activamente na sua gestão, potenciando assim o poder criador e o dinamismo da iniciativa privada.

Em termos de eixos de referência estratégica e de elegibilidade prioritária em matéria de promoção turística regional, o que mais sobressai é mostrarmos capacidade para construir orientações para a região que visem a valorização e afirmação da Marca Algarve, um dos desígnios, porventura mais importantes, para reforçar a competitividade da nossa oferta turística.

Para os empresários do sector, trata-se de um campo em que mais se justifica uma concertação dinâmica entre o sector público e o sector privado, através, nomeadamente, de uma formalização rigorosa nos procedimentos, designadamente no que respeita à necessidade das verbas disponibilizadas para a promoção turística serem alocadas às diferentes marcas de uma forma selectiva em função do seu contributo para as contas nacionais.

O sucesso do produto turístico começa na qualidade da sua promoção e no funcionamento do alojamento. Daí que a aposta no aumento da satisfação daqueles que nos visitam, a chamada promoção de boca a orelha, seja muito justamente considerada como a mais eficaz, tendo um efeito multiplicador imbatível, tanto mais que a consolidação de marcas turísticas é, nos dias de hoje, considerada decisiva para facilitar as transacções comerciais e para ajudar os potenciais consumidores nas suas escolhas de férias.

A satisfação dos turistas tem que ir de par com a rentabilidade das empresas, a realização dos trabalhadores e uma dimensão ética dos valores públicos, sendo a promoção um dos factores mais determinantes na cadeia de valor das empresas e, por conseguinte, dos destinos turísticos à escala mundial.

É por estes motivos que somos defensores de estratégias destinadas a dar à nossa promoção turística uma vertente comercial assente na implementação de acções de marketing e vendas junto dos mercados emissores, apostando mais na importância crescente do “independent traveller”, ao invés de centrar os apoios financeiros à operação tradicional, mais interessada nos grandes números, a base dos seus negócios e, por conseguinte, menos receptiva aos destinos de proximidade, considerados alternativos e pouco rentáveis.

Acresce que, no caso do Algarve, enquanto a operação tradicional não chega aos 40 por cento da procura total e apresenta uma tendência de descida, os restantes canais de comercialização e distribuição já ultrapassam os 60 por cento e uma tendência de subida constante.

O contributo do turismo do Algarve para a afirmação da imagem de Portugal no mundo e a importância muito maior que os empresários do turismo podem e devem ter no quadro das opções das políticas de turismo, constituem aspectos que devem ser valorados, nomeadamente através de parcerias que visem potenciar o progresso competitivo do sector turístico regional.

O prosseguimento deste objectivo passa, necessariamente, por uma colaboração estreita entre a RTA e as organizações representativas dos empresários. O que hoje parece inultrapassável amanhã é uma oportunidade de negócio.

Assegurar a continuidade e o sucesso da Marca Algarve passa, inevitavelmente, por garantir um produto de qualidade, quer no que se refere à chamada envolvente, ou seja, serviços de higiene e limpeza, manutenção de zonas verdes, saneamento básico, saúde, segurança, vias rodoviárias, ferroviárias e outras acessibilidades, como a ligação por ferrovia ao aeroporto, por exemplo, serviços de apoio como fornecimento de água, electricidade, comunicações, etc.

A Marca de Excelência que se pretende para o Algarve só será possível se conseguirmos garantir que a imagem de qualidade da nossa oferta, traduzida no facto de quase 50 por cento dos estabelecimentos classificados oficialmente serem de 4 ou 5 estrelas, vai ter continuidade no futuro, o que implica a existência de sistemas sustentados de apoio financeiro para a renovação e remodelação de unidades hoteleiras e turísticas.

Por outro lado, precisamos de programas de requalificação de zonas turísticas e urbanas descaracterizadas e de elevada concentração urbanística, assim como de infra-estruturas e equipamentos que ainda não temos, como um novo Hospital Central, um Espaço Multiusos/Centro de Congressos para a realização de grandes eventos, Policlínica Desportiva para Atletas de Alta Competição, etc.

O produto que sustenta a Marca não pode entrar em declínio nem deixar arrastar-se para outros desequilíbrios que a afectariam irremediavelmente, arrastando-a para um precipício negativista de onde dificilmente se conseguiria libertar. Não podemos deixar de ter no horizonte que é a oferta que suscita a procura, mas é a procura que determina a oferta.

Neste contexto, é preciso termos bem presente que a promoção, sem o conhecimento das redes de comercialização e distribuição, no respeito por uma lógica correcta de produto e de mercado, é uma espécie de ponte para lado nenhum.

O Fomento da Escala e Competitividade da Oferta do Turismo do Algarve torna urgente e necessário haver nos serviços da administração pública e do turismo, com especial relevo para a RTA, mas também ao mais alto nível da governação, um maior entendimento da substância da actividade turística na economia e a sua importância estratégica, presente e futura, na vida e sociedade portuguesa.

Mais do que continuar a lamentar erros sucessivos de passados que se repetem, temos que ser capazes de responder eficazmente às dinâmicas turísticas do presente, conscientes que teremos de fazer mais e melhor no futuro. Não podemos continuar, eternamente, ao sabor das conjunturas internacionais, sejam elas favoráveis ou não, sem mostrar uma capacidade efectiva para as influenciar a nosso favor.

É por estes motivos que apoiámos a solução encontrada para dirigir a RTA. E é também por isso que estamos disponíveis e empenhados em colaborar, activa e directamente, nas melhores soluções para o turismo regional, dentro de uma política de colaboração em co-responsabilização. Ou seja, não pretendemos apresentar apenas propostas, queremos também envolver-nos directamente na implementação e execução das medidas, quer elas sejam de ordem promocional ou outra.

Na actual conjuntura, precisamos de uma RTA mais ousada, mais profissionalizada, com maior capacidade técnica e menos político-partidarizada. O maior envolvimento do sector empresarial só pode, pois, contribuir para conferir à RTA uma maior eficácia e eficiência na gestão da coisa pública, relativamente a um sector económico de cariz marcadamente privado e de interesse nacional, como é a actividade turística do Algarve.

Em nome do interesse público, o Algarve reclama para si o direito a uma proporção dos apoios correspondentes ao seu contributo para as receitas turísticas totais do País, conforme é da mais elementar regra de justiça, tanto mais que o turismo do Algarve é o maior produtor nacional de bens transaccionáveis, o verdadeiro sustento da economia portuguesa.

A AHETA, tal como as outras estruturas empresariais que apoiaram esta solução directiva para a RTA, confiam e apostam nesta equipa para conduzir e levar a bom termo estes e outros aspectos que envolvem a política de turismo do Algarve.



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