Jornal diariOnline Região Sul

O editorial que não quero escrever…

Este é o editorial que não quero escrever. Tenho andado a pensar nele e, infelizmente, o tema central está sempre a mudar.

O incêndio de Monchique parecia ser o tema inevitável. Acompanhei o fogo à distância e senti o seu poder do ar, ao aterrar no Aeroporto de Faro, no dia dos piores reacendimentos.

A mancha amarelada e espessa que tapava a torre de controlo do aeroporto arrepiou-me. Só nesse momento senti a verdadeira dimensão do que estava a acontecer.

“Felizmente não morreu ninguém!”, é talvez a frase que mais tenho ouvido.

É uma frase estúpida!

Não morrer ninguém é o que é suposto acontecer!

Mas infelizmente morreu e quase passava ao lado das notícias.

O Prof. José Louro, que tanto deu à cena cultural algarvia, que marcou gerações de atores e profissionais ligados ao teatro deixa uma obra que ninguém pode esquecer.

Era eu um jovem universitário quando o conheci. Nunca fui muito ligado ao teatro, mas a figura entusiasmava-me e sentia a devoção que alguns colegas e amigos (esses sim, artistas e pessoas do teatro) tinham pelo Prof. Louro.

Faço minha essa devoção.

Espero ver em breve a homenagem que tanto merece, por parte da sociedade algarvia.

Mas este editorial torna-se ainda mais penoso, porque as perdas dos últimos dias foram incalculáveis.

Devo muito ao Vítor Reia-Baptista. Um homem de incomparável candura que me acompanhou e ensinou.

Não teria terminado o meu mestrado sem a sua paciência e orientação.

O Vítor Reia-Baptista, pela sua visão e pragmatismo, é uma referência para qualquer aluno que tenha passado pelas suas mãos.

Numa época em que o jornalismo, e de alguma forma o conhecimento abrangente, se parecem dissipar, penso no homem, no mestre, que será sempre uma referência.

Seria seguramente pior jornalista se não me tivesse cruzado com ele.

Obrigado Vítor!


Comentários

comentários