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Projeto para reconverter cais comercial de Faro implica investimento de 120 milhões de euros

Projeto de reconversão do cais comercial de Faro

Para já, ainda só está no papel, mas o processo de reconversão do cais comercial de Faro, com um investimento previsto de 120 milhões de euros, totalmente privado, não vai parar, garantiram hoje a ministra do Mar e o presidente da câmara.

“O principal está feito, com o início de um processo que, como disse a ministra, não tem condições para parar”, disse Rogério Bacalhau, à margem da sessão solene de comemoração do Dia da Cidade, realizada no cais comercial, ao mesmo tempo que centenas de pessoas visitavam o navio-escola Sagres, ali atracado.

Segundo o autarca, o projeto para a reconversão do equipamento, objeto de um grupo de trabalho criado pela ministra e realizado em três meses, “evoluiu muito”, face ao estudo apresentado pela autarquia e pelo Centro de Ciências do Mar no ano passado.

“Esse foi um estudo de uma materialização de um sonho, que serviu depois para desenvolver o processo seguinte”, recordou, sobre a proposta inicial, entretanto aprimorada.

“Este projeto já tem muitos contributos, da parte de organismos ligados ao ambiente e ao ordenamento do território, e há uma evolução muito grande. Tenho a plena convicção de que este estudo se aproximará do resultado final. Falta fazer ainda muita coisa”, garantiu o autarca farense.

No primeiro estudo, por exemplo, a amarração das embarcações fazia-se sobre o espelho de água e mantinha-se a zona terrestre. “Agora, arranjou-se outra solução, em que não se entra para o espelho de água, mas devolve-se muito desta zona terrestre, que está degradada, à ria”, explicou.

De resto, a renovação do cais comercial, terá uma marina como equipamento-âncora, mantendo o apoio às atividades náuticas, com restauração e comércio, alojamento hoteleiro e um centro de investigação ligada à área marítima, incluindo um aquário ou um centro de ciências do mar.

O investimento de 120 milhões de euros para a realização do projeto, que poderá gerar 1000 postos de trabalho, será totalmente financiado por privados. Rogério Bacalhau assegurou que já há potenciais investidores a bater à porta da câmara.

“Temos recebido várias manifestações de interesse, nacionais e estrangeiras. De entidades que têm equipamentos do género e estão interessados em conhecer, no mínimo, os termos da proposta”, assinalou.

A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, elogiou a autarquia pela intenção de renovar este equipamento. “É para isto que os portugueses elegem os seus autarcas, é para transformar para melhor as suas vidas. E isso é também transformar para melhor os seus territórios”, disse.

Em causa, está a requalificação de territórios cuja principal atividade já se degradou, como acontece com a atividade portuária do cais comercial. “Essas atividades estão esgotadas e assim podem ser transformados em espaços que podem ser usufruídos pelas populações e pelos turistas”, acrescentou a governante.

Projeto de requalificação da frente ribeirinha de Faro

Na sessão solene do Dia da Cidade, Luís Gomes, ex-presidente da Câmara de Vila Real de Santo António e atualmente consultor da autarquia farense, apresentou a proposta de requalificação da frente ribeirinha, dividida em quatro projetos, numa extensão de 5 quilómetros e com uma área de 137 hectares.

O passeio ribeirinho - do parque ribeirinho até à doca –, o passeio marítimo – da doca ao largo de São Francisco –, a requalificação do tecido urbano adjacente e a reconversão do cais comercial são as medidas previstas.

O objetivo passa por melhorar “a ligação dos farenses com ria, proporcionando-lhes um espaço a sul da linha de caminho de ferro e minimizando esse constrangimento”.

“Teremos melhor qualidade, melhor relacionamento com o mar, mais emprego, mais economia”, frisou o autarca.

Além do acordo assinado hoje com a Docapesca, que garante a transferência do território junto à Doca para a autarquia, será também assinado, em breve, um protocolo com a Infraestruturas de Portugal, para a câmara assumir a área junto à estação ferroviária.

Projeto do passeio marítimo

Rogério Bacalhau não quis apontar qualquer prazo de conclusão para a conclusão de todos estes projetos.

“Quando iniciei o mandato, ainda me atrevia a dizer essas coisas. O conhecimento que tenho já não me permite dizer isso. É preciso fazer estudos, que levam tempo, lançar concursos, que nunca sabemos quando terminam. É um processo que vai demorar muitos anos”, afirmou, garantindo que, quando tudo estiver concluído, a face da cidade mudará.

Na sessão solene, foram distinguidos vários funcionários da autarquia e entregues medalhas de mérito a personalidades como o cónego César Chantre, Vítor Lourenço, Fernando Grade, João Rodrigues, Jorge Leitão, Luís Ferrinho, Ramiro Santos e, a título póstumo, Joaquim Guerreiro, além da Tertúlia Farense, do São Pedro Futsal Clube, do Futebol Clube São Luís e do Grupo 77 do Agrupamento dos Escoteiros de Portugal.



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