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Brasil: fim da Hora de Verão anunciado hoje por Bolsonaro

José Mateus Moreno

Analisando com maior profundidade os prós e contras da mudança da hora, quer-me parecer que se trata de uma estratégia que, a manter-se, não trará benefício algum para ninguém. Aliás, só vejo prejuízos nessa imposição que vem dos anos 30, quando o planeta estava dependente de uma mão de obra industrial e de um trabalho que era realizado de Sol a Sol e que hoje não existe mais.

Há registos de que as crianças e adolescentes, por exemplo, com a alteração da hora, são forçados a alterar as suas horas de sono duas vezes durante o ano, o que os prejudica imenso;
- algum comércio vê-se obrigado a ajustar os seus tempos de abertura, campanhas e estratégias, adaptando-se às características do público consumidor, que também se altera;
- há estudos no campo da saúde que indicam que a mudança horária aumenta o risco cardiovascular, de acidentes e a ocorrência de maior instabilidade emocional, sobretudo em pessoas vulneráveis…

Portanto, não existem vantagens palpáveis que justifiquem a mudança da hora. Tanto mais que o regresso a casa dos operários fabris, hoje em dia é em número bastante reduzido comparativamente às décadas de 1930 a 1950, e as condições de higiene no trabalho hoje oferecidas aos trabalhadores, possibilitam uma poupança de consumo de energia (nomeadamente com o banho diário) em suas casas, o que só por si já justificaria a manutenção da hora.

Recordo que numa consulta pública realizada entre 4 de julho e 16 de agosto do ano passado em vários países membros da União Europeia, que registou 4,6 milhões de participações - a maior participação foi protagonizada pela Alemanha (68%) enquanto que, por exemplo, Portugal apenas contribuiu com 0,7% das respostas. A grande maioria das respostas obtidas nessa consulta pública (84 %) manifestou-se a favor do fim da mudança da hora.

Hoje, 05 de abril, no Brasil, o Presidente da República anunciou o fim do Horário de Verão, que em alguns estados ainda se mantém. "Tomei a decisão que neste ano não teremos Horário de Verão", disse Bolsonaro durante o pequeno almoço com jornalistas.

O primeiro ministro do governo de Portugal, António Costa, também já “balançou” em relação a esta matéria e, em minha opinião, está na hora de seguir o mesmo caminho, neutralizando a estratégia de mudança da hora em Portugal Continental, Madeira e Açores, de modo a que a partir da anulação do horário de Verão (em outubro) nunca mais se retorne a este horário que atualmente se pratica sem justificação, verdadeiramente, plausível.

Aliás, há imensas formas de poupar energia, bem mais rentáveis até, sem ser necessário recorrer à Mudança da Hora.



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