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TEMPOS DIFÍCEIS!

Álvaro Viegas - Advogado

Estas eleições europeias mostraram um cenário muito difícil para a direita e centro político. Sou insuspeito quanto a Rui Rio que sempre apoiei, mas os tempos não estão nada fáceis para o PSD e para o CDS.

É verdade que o resultado do PS é um pouquinho superior ao conseguido por António José Seguro que levou carta de embarque de António Costa. O que torna enorme este pequeno resultado do PS é a diferença para o PSD de mais 10 pontos.  Se olharmos somente para os deputados eleitos até parece que pouco mudou. O PS consegue mais 1 deputado, o PSD e o CDS mantêm os seus deputados, o BE elege mais 1 e a CDU perde 1. Há sempre um elemento estranho, em 2014 foi Marinho e Pinto, em 2019 é o PAN.

Porém, se olharmos para o todo nacional o mapa está cada vez rosa e menos laranja e vermelho o que denota uma supremacia homogénea dos socialistas.

Rui Rio que trouxe para a política uma imagem de seriedade, verticalidade e de rigor, deixou que em alguns momentos as circunstâncias o ultrapassassem e não lidou da melhor forma com elas tendo-se prejudicado exatamente no que o diferenciava dos demais.

O Congresso que o elegeu ficou marcado pela opção errada da aliança com Santana Lopes o que desagradou a uma parte substancial dos seus apoiantes. A escolha de alguns membros da sua equipa também se revelou desacertada, sendo o episódio das senhas de presença na Assembleia da República paradigmático de uma situação onde deveria ter havido uma posição enérgica de reprovação e de afastamento desses dirigentes e eleitos, exatamente para salvaguardar a sua imagem vertical.

Por último e com mais impacto junto da opinião pública o episódio dos professores. Foi um erro tremendo do PSD e do CDS a aprovação conjunta com o BE e a CDU de uma caixa de pandora que a efetivar-se teria toda a função pública a exigir o mesmo tratamento. António Costa pode ser um artista e malabarista, mas é desde sempre um político e percebeu, num momento de queda do PS, que lhe estavam a oferecer uma oportunidade de ouro. Extremou a sua posição, passou a imagem de político responsável e passou para a oposição à sua direita o epíteto de irresponsabilidade. Afinal não era a esquerda que era gastadora e que chamava sempre o FMI? Por outro lado, o eleitorado em geral e o do centro e da direita nunca viram com bons olhos esta guerra dos professores. Não é verdade que todos os portugueses, no sector público e privado sofreram ajustamentos no tempo da troika? Por que razão se dá só a uns e não aos restantes? E o País tem recursos para fazer face a esta despesa?

Seria certamente difícil o PSD ganhar estas eleições, mas a queda para valores tão baixos tem muito a sua origem na leitura que os cidadãos fizeram destas situações.

E agora? Até outubro faltam 4 meses. É pouco tempo para grandes alterações nas intenções de voto. Resta ao PSD não cometer mais erros, apresentar uma mensagem positiva, reforçar a imagem de Rui Rio como um líder sério e rigoroso, apresentar ideias simples, mas motivadoras e aguardar que os cidadãos compreendam a mensagem. Não creio que o resultado das europeias se vá repetir nas legislativas

* Advogado



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