Legislativas: “Não há nem nunca houve uma política de transportes para o Algarve” – Jorge de Jesus / Chega

No âmbito das eleições Legislativas, marcadas para dia 6 de outubro, o jornal diariOnline Região Sul foi ouvir os cabeças de lista das diversas forças políticas candidatas pelo Círculo Eleitoral do Distrito de Faro.

Jorge Rodrigues de Jesus, natural de Angola e residente em Portimão nos últimos anos, encabeça a lista do partido Chega.

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diariOnline Região Sul – Quais as prioridades para o desenvolvimento da região algarvia?

Jorge de Jesus – A nossa proposta para o Algarve é muito clara e está explanada em diferentes temas. Por conseguinte, não temos dúvidas de que a prioridade das prioridades é o tema saúde. Nesse sentido, não vamos abdicar de lutar para colocar os dois hospitais públicos a funcionar de acordo com padrões mínimos de qualidade, de acordo com um país europeu e não “terceiro mundista”, como acontece agora. Ainda sobre este capítulo, é determinante que os centros de saúde, tenham um horário alargado e sejam de facto o primeiro apoio para quem está doente, de forma não grave ou de emergência. Por fim, vamos exigir que seja construído um terceiro hospital, porque tecnicamente, mesmo que os dois hospitais existentes funcionassem bem (algo que não acontece), são insuficientes tendo em conta o aumento exponencial de pessoas que ocorre na nossa região a partir de março até outubro. Por fim, e não menos importante é fundamental que o Algarve tenha uma licenciatura em Medicina, porque é uma forma de atrair numa primeira fase jovens estudantes, que ao fim de sete ou oito anos, contando com as especializações, estejam já tão habituados ao Algarve e que sejam os primeiros a querer continuar a viver cá, porque um dos problemas, não sendo único, é o facto de muitos médicos não quererem vir para o Algarve viver.

O segundo tema, é a criação de uma rede de creches que realmente possa servir os algarvios, pois é aflitivo termos pessoas que não têm onde colocar os seus filhos porque simplesmente não têm dinheiro para pagar as mensalidades das creches. Nota-se também uma ausência significativa de espaços desportivos e de lazer ao ar livre para as crianças e famílias. Nós pretendemos que a nossa região seja amiga das famílias.

O terceiro tema é a defesa de uma rede de transporte minimamente de qualidade. Qual é a política de transporte para o Algarve? A resposta é: não há, nem nunca houve. O que me indigna é que nós, habitantes do Algarve, subsidiamos a excelente rede de transportes de Lisboa e do Porto, porque vêm do Orçamento Geral do Estado. E nós?

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O exemplo mais paradigmático é a linha de comboio regional do Algarve. Temos uma linha obsoleta, temos carruagens velhas, vandalizadas, pouco dignas e que ainda funcionam a combustível, o que é inaceitável. A nossa linha regional podia ser mais uma infraestrutura para promoção do turismo, no entanto, é o que se vê.

A mobilidade na nossa região é deficitária exatamente porque nunca houve uma política de transportes para o Algarve. Os autarcas da região década, após década têm uma postura de “quintal”, ou seja, o meu “quintal” tem de ser o mais bonito, mesmo que ao lado esteja a “cheirar” mal e me afete. Esta visão medíocre, juntamente com o desprezo dos sucessivos governos pela nossa região, levou-nos ao estado em que hoje nos encontramos. As obras na estrada (rua) 125, por exemplo, são a prova que quem se dedica a estas matérias de mobilidade, não vive cá ou então só deve ser um dos privilegiados ou um dos “parasitas” da nossa sociedade que só circula em autoestrada. Reparem que, nas obras que foram feitas, é verdade que há partes que melhoraram, mas há outras que são um atentado à segurança das pessoas no sentido restrito. Eu, como geógrafo, sei que numa escala sísmica de 0 (risco nulo) a 10 (risco máximo), o Algarve apresenta o risco máximo – 10 –, no entanto, há troços na EN125 em que os lancis colocados são tão altos, que num caso de catástrofe, seria impossível haver por exemplo a passagem de ambulâncias ou de carros de bombeiros, porque simplesmente os carros não conseguem desviar-se! Este é um exemplo prático de pura incompetência. Algum autarca falou disto? Algum governante? Claro que não. É o que temos. Portanto este e outros motivos são a prova que a “devolução” da Via do Infante aos algarvios é determinante e esse será também o ponto de honra para a nossa equipa.

O quarto tema, é mudar o paradigma de desenvolvimento do Algarve. O que temos tido, é uma região ultra dependente da atividade turística. Os resultados estão à vista. Na forte crise iniciada em 2008, eu verifiquei uma depressão económica e uma taxa de desemprego no Algarve muito assustadora. A EN125, que é uma “rua de comércio” que atravessa a nossa região, simplesmente ficou “vazia”. Em 2011, em novembro (dia 12), organizei no TEMPO, em Portimão, um seminário «A agricultura como opção geoestratégica prioritária, as oportunidades na área da gestão florestal e as potencialidades dos recursos na Região do Algarve», que contou com a colaboração de especialistas na área, como eu e Raul Marques, enquanto geógrafos, e os engenheiros florestais Rui Simões e Marta Cortegano. Nós temos que apostar de forma estratégica nos produtos agrícolas autóctones, com base na Investigação & Desenvolvimento mas sobretudo numa vertente da agricultura biológica, porque é isso que traz valor acrescentado aos agricultores, o qual é um mercado em expansão, mercado esse de países com elevado poder de compra.

Agregado a esta estratégia há um potencial verdadeiramente incrível nos derivados agrícolas. Por exemplo, é pura incompetência de autarcas e governos não fazerem do Algarve e Alentejo regiões de produção de alfarroba. O mercado global de alfarroba não vai parar de crescer exponencialmente nos próximos anos. Os fatores impulsionadores do mercado global de alfarroba estão a aumentar a procura por produtos de panificação, mas não só. A alfarroba também é usada no tratamento da diarreia, cancro, ajuda a reduzir o nível de colesterol e são alguns dos fatores que impulsionam o mercado global de alfarroba. O pó de alfarroba é amplamente utilizado, por exemplo, como alternativa para o cacau em pó devido aos seus benefícios para a saúde, que é um fator importante no mercado global de alfarroba. Portanto, espera-se que o mercado global de alfarroba observe um crescimento robusto.

Por outro lado, temos de atrair investigação científica de alto nível para o Algarve, investigação e indústria de ponta. Faz-me confusão os nossos jovens terem de sair do Algarve, para fazer altos estudos e/ou investigação científica. Isso acontece porque nunca ninguém se importou muito com isso, pois os filhos “deles” têm dinheiro para o fazer em Lisboa, Aveiro, Braga, Porto ou no estrangeiro, mas os “nossos” ficam para trás.

Importa dizer que obviamente o turismo continuará a ter especial atenção, até porque o novo paradigma de desenvolvimento que defendo, será uma mais-valia para o nosso turismo, nomeadamente no combate à sazonalidade desta atividade.

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Quinto tema, é projetar de forma eficiente a cultura algarvia, em sentido lato, que vai por exemplo, da música, às danças como o “corridinho” algarvio, gastronomia, produtos agrícolas.

A nossa região é única, todos talvez digam isso, mas a diferença é que nós quando afirmamos tal coisa, é um facto e não mero marketing! Todas as regiões têm as suas tradições, a sua cultura, mas nós temos um clima e uma orografia que mais ninguém tem e isso faz toda a diferença! Por exemplo, fui professor e presidente de assembleia de escola em Alcoutim em 2001 e, portanto, vivi lá durante um ano. Posso garantir que é uma terra com encantos inesquecíveis, mas totalmente diferente das terras litorâneas como Albufeira ou Portimão. Conheço bem Portugal, porque um professor infelizmente é “nómada” durante muitos anos, mas isso permitiu-me conhecer bem Portugal. Nesse sentido, eu posso afirmar que o Algarve tem uma enorme riqueza etnográfica. Orlando Ribeiro falava do “olho do geografo” e de facto ele tinha razão, nós somos formados para ver “além de…”. Toda esta magia algarvia está por explorar e divulgar nacional e internacionalmente.

Sexto tema, mas não menos importante, é a nossa proposta inovadora na área da segurança. Ao contrário do que diz o governo, hoje há claramente mais violência, porém, uma parte muito significativa não é denunciada e outra não entra para a estatística.

Os portugueses sabem que falo a verdade. O melhor exemplo é que hoje é impensável deixar as chave do lado de fora da porta, ou passear a determinadas horas da noite em determinadas cidades. No caso do Algarve, sobretudo no verão, a situação degrada-se de ano para ano. O caso mais paradigmático é a cidade de Albufeira, onde há relatos de sexo na rua ou nudez, para não falar em assaltos e violência física.

O que me preocupa é que os responsáveis locais e governo consideram que é normal, coisas da modernidade. Portanto, é um argumento falso, porque é sobretudo um argumento ideológico, pois a esquerda será sempre avessa à ordem e disciplina. Assim, propomos maior vigilância e reforço policial em zonas críticas do Algarve, mas também a aposta no guarda noturno. A aposta nos guardas noturnos vai criar muitos postos de trabalho, mas sobretudo vai recuperar o sentimento de segurança dos habitantes.

É de referir que o papel do guarda noturno vai muito além da simples vigilância, este desempenha também um papel social, pois tem uma relação de proximidade, onde por exemplo de madrugada pode deslocar-se à farmácia aviar uma receita, ou ir a casa numa emergência diversa, sendo uma das primeiras linhas de apoio ao cidadão. O guarda noturno não substituirá um polícia ou GNR, mas será um complemento numa relação de sinergias.

diariOnline Região Sul - Como é que a lista do partido que representa pode fazer a diferença?

Jorge de Jesus - A diferença que podemos fazer é tão evidente que qualquer um que leia o que vou expor vai concordar comigo na íntegra. A minha equipa não tem um único político profissional. O que é que isso significa? Simples de entender. Um político profissional vive da política, a maioria nunca trabalhou noutra área e se trabalhou foi logo como um “tacho” partidário. É só isso que eles sabem fazer, como tal, os candidatos dos partidos do sistema nunca darão um “murro” na mesa para defender o Algarve, porque eles primeiro irão defender o seu cargo político ou, se possível, até subir de posto. Alguém acredita que a candidata pelo Partido Socialista alguma vez irá contra um governo socialista para nos defender? Uma candidata que desde jovem é uma profissional da política, que há muitos anos vive em Lisboa, nem sabe das nossas “dores” diárias?

Quem fala da candidatura socialista fala das outras referentes aos partidos do sistema. Esses terão de prestar sempre vassalagem ao partido e ao governo que representam.

Portanto, a principal diferença é que a lista do Chega é constituída só por pessoas que têm levado uma vida inteira a trabalhar. Nunca vivemos da política, unicamente do suor do nosso trabalho, como a maioria dos cidadãos. Nesse sentido, somos livres, não temos que prestar vassalagem a ninguém e, como tal, o Algarve terá finalmente “gente” com coragem para defender a nossa região como nunca o foi até hoje.

A verdade é que o Algarve foi sendo desprezado, década após década, pelos sucessivos governos e por isso temos constrangimentos cada vez maiores, exatamente porque os eleitos do passado, como os candidatos atuais, não fizeram, nem farão o que nós nos propomos – dizer “chega” de tratar a nossa região com total desprezo e desrespeito! E sabe por que é que será assim? Porque está no nosso ADN, a coragem de falar a verdade, de dizer o que nos vai na alma, por muito perigoso que seja. O Algarve terá pela primeira vez pessoas que fizeram a opção de lutar por uma liberdade com perigos, em detrimento a viver em servidão com tranquilidade, como tem sido até hoje.

diariOnline Região Sul – No seu ponto de vista, o Algarve deve ser...?

Jorge de Jesus - A melhor região para se viver em Portugal, livre dos constrangimentos que cada vez mais nos “sufocam”. Temos tudo para dar certo, falta só quem nos defenda mas isso será solucionado com a nossa eleição.



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