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Lagos destaca interesse ambiental e paisagístico do Paul

O estudo de caracterização e diagnóstico do Paul de Lagos, apresentado e aprovado na última reunião da Câmara Municipal de Lagos, «veio confirmar, com dados exaustivos e detalhados, aquilo que já se antevia relativamente a esta zona de características naturais muito especiais, identificada em sede dos planos municipais de ordenamento do território como a UOPG 10 do Plano Diretor Municipal e Áreas Adjacentes», conta o município.

Correspondendo à 1.ª fase de elaboração do Plano de Pormenor do Paul, o estudo de caracterização e diagnóstico analisou uma área de 215 hectares (397 contando com as áreas adjacentes) onde a componente biofísica (designadamente Geologia e Geomorfologia, Recursos Hídricos Subterrâneos e Superficiais, Solo, Flora-Vegetação-Habitats, Fauna e Alterações Climáticas) tem um papel preponderante. A ocupação do território (ocupação atual do solo, paisagem, ocupação edificada, infraestruturas e património cultural e arqueológico), a componente socioeconómica e o planeamento territorial são outras das temáticas abordadas.

A equipa do Plano destacou, «pelo considerável interesse ambiental, paisagístico e especificidade, cinco macrozonas, como o bosque da zona do Monte do Catalão, a zona de matos do Cerro Queimado que constituem um importante refúgio para a avifauna, a Encosta do Paul, o Paul doce e o Paul de maré. A grande diversidade florística é outra das características deste território, assim como o elevado potencial faunístico, principalmente na zona húmida, evidenciado pelas 210 espécies de avifauna, 32 espécies de mamíferos e 17 espécies de répteis e identificados. Garçote, flamingo, goraz, garça-vermelha, papa-ratos, coelheiro, lontra, sáurios, cágados e serpentes, são apenas alguns das muitas espécies identificadas, muitas delas com particular interesse de conservação».

O interesse cultural está igualmente presente, conforme atestam os diversos sítios arqueológicos reveladores de indícios de uma presença humana desde a pré-história antiga, muito anterior à presença romana.

Segundo o estudo, a ocupação edificada «é pouco significativa (correspondendo a 2% da área do Plano), dispersa e não estruturada, sendo a “habitação” o uso predominante». No entanto, trata-se de uma área fortemente infraestruturada ao nível das acessibilidades, adução de água, drenagem e tratamento de esgotos, energia, comunicações e resíduos sólidos urbanos.

A equipa do Plano concluiu tratar-se de «uma área com características e vocações naturais que importa preservar e potenciar, mas que apresenta um conjunto de desequilíbrios ao nível dos atuais usos e ocupação do território que urge corrigir».

Na proposta de Plano que vier a ser construída nas próximas etapas deste trabalho, a equipa terá de tomar em consideração ainda «o facto da área em análise corresponder a um território fortemente constrangido ao nível das servidões e condicionalismos (REN e RAN, entre outras), que, sobrepostas, abrangem a quase totalidade da área do Plano de Pormenor do Paul».

 

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