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Museu Municipal de Tavira reabre com «Contra-parede»

Obra de Ana Vidigal

O Museu Municipal de Tavira/Palácio da Galeria reabre no dia 10 de abril com o projeto curatorial «Contra-parede», de Hugo Dinis, com obras em diálogo dos artistas Ana Vidigal, Nuno Nunes-Ferreira e Pedro Gomes.

A mostra poderá ser visitada até dia 10 de julho, de terça a sábado, entre as 9:15 e as 16:30 horas, com entrada livre.

“Partindo de uma discussão alargada em torno da parede como lugar privilegiado para a intervenção no espaço público, os artistas propõem questionar o espaço arquitetónico em que as obras são apresentadas”, refere a autarquia tavirense.

Considerando, simultaneamente, o espaço social, histórico, cultural e político em que os equipamentos museológicos se inserem, as obras promoverão “um diálogo frutífero sobre o papel da arte junto das comunidades locais em que se apresentam”.

Ana Vidigal, atendendo às questões domésticas e feministas do seu trabalho, desenvolveu obras que implicam um humorístico sentido político e que indagam o debate pertinente entre os domínios público e privado.

Através da intervenção em tijolos e ladrilhos em barro manufaturado de Santa Catarina da Fonte do Bispo, a artista utiliza a cultura popular local em prol de um discurso inclusivo sobre a igualdade e a diversidade.

Nuno Nunes-Ferreira, com recurso ao seu imenso arquivo de jornais e revistas, realizou um mural, intitulado «A palavra», que alude às questões políticas do Estado Novo e a prevalência da liberdade, onde a voz e o discurso individual se encontram como um bem comunitário.

O artista irá apresentar, também, a obra inédita «Abate da frota pesqueira», que, através da construção de um muro de dossiês provenientes do arquivo da Associação de Conservas de Peixe e da apresentação do Diário da República de 1986, em que foi publicado o diploma para o abate de barcos, faz referência à política portuguesa sobre os recursos marítimos.

Também do mesmo artista, será apresentado o vídeo «Vírus», que estabelece a contemporaneidade da exposição neste tempo de pandemia.

Pedro Gomes expõe desenhos por módulos, imagens que se podem estender como papel de parede, que confrontam o espaço arquitetónico por meio de representações dos dispositivos históricos museográficos recorrentes entre o século XIX e o cubo branco do século XX.

Nesta grande instalação, “as linhas dos desenhos tornam-se formas e espaços tridimensionais que submergem o espetador” e o artista exibe ainda um mural realizado com papéis químicos, revelando, deste modo, a sua metodologia de trabalho.

“Adicionando o prefixo ‘contra’ a ‘parede’ recorre-se, ironicamente, à contradição para infringir um confronto com as instituições que se erguem por intermédio das estruturas arquitetónicas e dos seus significados de poder. Ao cobrir a parede e ao ocupar a quase totalidade do espaço expositivo, as obras presentes no projeto «Contra-parede» conquistam espaço de visibilidade que, através da intervenção ativa dos artistas e do público como espetadores informados, se revelam espaços subvertidos de contrapoder”, finaliza o espaço.

O acesso ao Museu Municipal de Tavira encontra-se condicionado aos aspetos de segurança individual e lotação máxima nas salas de acordo com as normas emanadas pela Direção Geral de Saúde, sendo obrigatório o uso de máscara.



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