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Biden pretende deixar claro que EUA e Europa são unidos

O presidente Biden acenou quando ia embarcar no Marine One na Elipse da Casa Branca nesta quarta-feira. (Demetrius Freeman / The Washington Post)

Para além da agenda de reuniões, designadamente com Putin, o presidente dos EUA também leva na bagagem um plano de vacinação para o mundo

O presidente dos EUA, Joe Biden, partiu esta quarta feira para a Grã-Bretanha, naquela que é a sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu a Presidência dos EUA - uma missão de oito dias para reconstruir os laços transatlânticos tensos durante a era Trump e para reformular as relações com a Rússia.

De acordo com a notícia veiculada pela agência Reuters, esta viagem representa um teste à capacidade do presidente democrata de administrar e reparar relacionamentos com os principais aliados que ficaram desencantados com as tarifas comerciais do então presidente Donald Trump e com a retirada dos EUA dos tratados internacionais.

"Será que as alianças e instituições democráticas que tanto moldaram o século passado provarão a sua capacidade contra as ameaças e adversários modernos? Acredito que a resposta é sim. E nesta semana na Europa, temos a chance de provar isso", disse Joe Biden num artigo de opinião publicado no Washington Post.

Falando aos jornalistas ao partir para a Europa, Biden disse que os seus objetivos são "fortalecer a aliança, deixando claro para Putin e para a China que a Europa e os Estados Unidos são unidos".

A cúpula com o presidente russo Vladimir Putin em 16 de junho em Genebra é o ápice da viagem, uma oportunidade de levantar as preocupações dos EUA diretamente com Putin sobre ataques de ransomware vindos da Rússia, a agressão de Moscovo contra a Ucrânia e uma série de outras questões - lê-se na notícia da Reuters.

Presidente Joe Biden no embarque para o Air Force One | Maryland, 9 de junho de 2021. REUTERS
Biden também leva na bagagem um plano de vacinação global

Biden fará a sua primeira paragem na vila costeira de St. Ives, na Cornualha, onde participará da cúpula do G7. O encontro deve ser dominado pela diplomacia de vacinas, comércio, clima e uma iniciativa para reconstruir a infraestrutura no mundo em desenvolvimento. As autoridades americanas veem esse esforço como uma forma de conter a crescente influência da China.

O presidente Biden pode enfrentar alguma pressão para fazer mais no sentido de partilhar os suprimentos de vacinas dos EUA com outros países, após uma promessa inicial de 20 milhões de doses anunciada na semana passada. Antes de deixar os Estados Unidos, Biden disse que planeava anunciar um plano de vacinação para o mundo.

Seu impulso para um imposto mínimo global sobre empresas multinacionais enfrenta oposição em casa. Os ministros das finanças do G7 concordaram antes da cúpula em buscar uma alíquota tributária mínima global de pelo menos 15% e permitir que os países do mercado tributem até 20% dos lucros excedentes - acima de uma margem de 10% - gerados por cerca de 100 grandes e de alto lucro empresas.

Boris Johnson e Joe Biden numa renovação de "relação especial" após a era Trump

Joe Biden terá uma reunião com o primeiro-ministro britânico Boris Johnson na quinta-feira na Cornualha, a qual constitui uma oportunidade de renovar a "relação especial" EUA-Reino Unido após o rompimento do Brexit com a União Europeia.

Após três dias de cúpula do G7, o presidente Biden e sua esposa, Jill, visitarão a Rainha Elizabeth II no Castelo de Windsor. Joe Biden, de 78 anos, conheceu a rainha em 1982, quando era senador dos Estados Unidos por Delaware.

Depois, informa a notícia da Reuters, que Biden viaja para Bruxelas para se reunir com líderes da ONU e da União Europeia. A agenda deverá ser dominada pela Rússia, China estando em cima da mesa a questão pertinente de fazer com que os aliados da ONU contribuam mais para a defesa comum.

Cimeira em Genebra entre Putin e Biden não deverá trazer grandes novidades

Biden encerra a viagem a Genebra naquele que pode ser o encontro mais difícil, e também o mais aguardado da semana - numa sessão com Vladimir Putin, que tinha relações amigáveis ​​com Trump.

O conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse aos jornalistas que Biden espera que as suas reuniões do G7 e da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) reforcem um sentimento de unidade aliada quando ele se reunir com Putin.

Nenhum grande avanço é esperado da cimeira entre Putin e Biden a 16 de junho. Contudo, Sullivan disse que Biden pressionará Putin sobre as prioridades dos EUA. Os dois lados, segundo a Reuters, estavam a negociar a possibilidade de se realizar uma conferência de imprensa conjunta.

Questionado pelos jornalistas, se o seu encontro com Putin renderia algum acordo sobre segurança cibernética, Biden não se comprometeu.

"Quem sabe?" disse Biden. “Vai ser um assunto da nossa discussão” - rematou o presidente dos EUA.