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PCP/Algarve lamenta decisão “tardia” do aumento da quota de sardinha para pescas

A Direção da Organização Regional do Algarve (DORAL) do PCP destacou a importância do aumento da quota de sardinha para as pescas no Algarve, mas lamentou o que considerou ser uma “decisão tardia”.

“Os pescadores andavam desde 2018 a alertar para o facto de que os stocks de sardinha tinham recuperado, conforme foram alertando o PCP - nas sucessivas reuniões realizadas no Algarve - as organizações representativas deste sector. Simultaneamente, o conjunto de informações técnicas que iam surgindo reforçavam essa ideia. E isso mesmo foi confirmado por estudos oficiais recentes que permitiram concluir que, desde 2018, Portugal tem cumprido os limites do máximo de capturas sustentáveis, e que, como o PCP há muito reclamava, as quotas poderiam e deveriam ter sido aumentadas pelo Governo português”, salientam os comunistas.

“Tardiamente, depois de muitos milhares de euros de prejuízo para a pesca de cerco”, comenta o PCP, ficou decidido aumentar as quotas de captura de sardinha para 2021 para as 40 mil toneladas à escala ibérica, o que permitirá a Portugal uma quota de cerca de 27 mil toneladas (cerca do dobro de 2020), o que já levou a Direcção-Geral de Recursos Marítimos a alargar as quotas diárias de pescado por embarcação.

“O Governo PS, pela sua subserviência à UE e ao ICES (Conselho Internacional para a Exploração do Mar), é responsável pelos prejuízos causados às pescas portuguesas. Diga-se ainda que o ICES dá agora o sim àquela quota mas não reconhece os erros assumidos anteriormente”, acrescenta a estrutura regional do partido.

Benefício de pescadores e indústria conserveira

Esta nova situação “vai permitir aumentar a produção de sardinha, beneficiar os pescadores portugueses, garantir à indústria conserveira matéria-prima de qualidade, aumentando a produção nacional de alimentos”, frisa o PCP.

Criticando “a falta de investimento na dotação do Estado Português dos meios científicos necessários à monitorização dos recursos marítimos - navio, tripulação e técnicos científicos –, que tem sido um dos fatores que tem levado à imposição de quotas de captura de sardinha inferiores às que seriam necessárias para a preservação e valorização dos recursos”, o PCP lembra que a pesca sustentável “é um dos recursos com que o Algarve conta para diversificar a sua atividade económica”.

“Mas é também, um instrumento com que o país conta para vencer um dos défices estruturais mais decisivos da sua economia: o défice alimentar, quando o défice da balança comercial da pesca e produtos da pesca já supera os mil milhões de euros”, conclui o partido.



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