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Brasil deseja aumentar relação económica com Portugal

Foto: Lusa

O ministro das Relações Externas do Brasil disse hoje (02) em Lisboa que é seu desejo aumentar a dimensão económica da relação com Portugal e anunciou que vão ser retomadas as reuniões regulares sobre temas de interesse comum.

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Carlos Alberto Franco França, esteve esta semana em visita oficial a Portugal, tendo nesta sua primeira viagem oficial desde a tomada de posse em abril passado, sido recebido em audiência pelo Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, encontro que teve lugar no primeiro dia da visita.

O ministro das Relações Exteriores, segundo a agência Brasil, disse que o Brasil quer reforçar o seu papel na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assegurando que o pagamento de contribuições em atraso à organização será prioritário, num período de dois anos.

França, que terminou hoje (2) a sua primeira visita oficial de três dias a Portugal, encontrou-se nesta quinta-feira com o secretário executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Telles, com quem conversou sobre a possibilidade de maior intercâmbio da organização com a Fundação brasileira Alexandre Gusmão, para promover a língua portuguesa e os valores da comunidade. Ambos falaram também sobre o esforço do Brasil para efetuar, tão rápido quanto possível, o pagamento de quotas em atraso.

O ministro disse esperar que o Brasil consiga "por meio de eventos, seminários, debates públicos, publicações de obras, aumentar a sua participação na CPLP.

"Por meio da revitalização da Fundação, poderemos atrair parceiros privados e ter presença económica e financeira maior, com investimentos privados em programas conjuntos que possam ser desenvolvidos no Brasil, em Portugal, ou noutro país da CPLP", afirmou.

"Pensamos que é preciso dar um pouco mais de transparência às atividades da CPLP, na divulgação das suas atividades, e penso fazer isso durante a minha gestão", acrescentou.

Acordo União Europeia - Mercosul

Tal como previsto, Carlos França reuniu-se com o seu homólogo português, Augusto Santos Silva, a quem manifestou também o desejo de que a relação económica com Portugal seja ampliada.
Um dos assuntos tratados com maior objetividade entre os dois governantes terá sido o estado das negociações com vista à aprovação do acordo comercial já conseguido em 2019, após duas décadas de negociações, a ser assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, o bloco da América Latina formado pela Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Cúpula em Luanda

Em entrevista à Lusa em Lisboa, o ministro destacou a importância dos valores da organização lusófona, "partindo da ampla base geográfica que tem a CPLP, agora reforçada pela quantidade de observadores [associados]".

A Fundação Alexandre de Gusmão, uma entidade de direito privado, mas diretamente vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, deverá vir a desenvolver atividades em conjunto com a CPLP e contará com financiamentos da Caixa Económica Federal, acrescentou o ministro.

"Nós vamos fazer convénios com entidades privadas, e na parte cultural, teremos o apoio da Caixa Económica Federal, que é um banco estatal brasileiro, um banco público".

Uma Cúpula de Chefes de Estado e de Governo que irá será realizada em Luanda, Angola, nos próximos dias 16 e 17 de julho, por ocasião dos 25 anos da organização CPLP.
O Brasil será representado no encontro pelo vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

Durante a cúpula, Angola assumirá oficialmente a presidência da CPLP, sucedendo a Cabo Verde, que teve o mandato prolongado por mais um ano devido à pandemia de Covid-19.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da CPLP.

Representatividade da imigração brasileira

França participou também em eventos com empresários, nomeadamente com alguns que já mantêm uma relação estreita entre os dois países.
Em Portugal, a nacionalidade com maior presença entre a imigração é a brasileira, representando 27,8% do total até dezembro de 2020. Este é o valor mais elevado desde 2012, de acordo com dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), mesmo em tempo de pandemia. Em 2019, o número de imigrantes brasileiros em Portugal, representava 25,6% do total de imigrantes.

Até o fim de dezembro de 2020, eram 183.993 brasileiros em terras portuguesas, um crescimento de 21,6% em relação a 2019, quando havia 151.304. Os números podem ser conferidos no Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo (Rifa 2020).

Fontes: Agência Brasil, Lusa e RTP



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