“Algarve tem todas as condições para ser uma região administrativa” Catarina Marques / CDU

Catarina Marques, Cabeça de Lista da CDU (Coligação Democrática Unitária) pelo Círculo de Faro, às Eleições Legislativas agendadas para 30 de janeiro de 2022, em entrevista exclusiva ao jornal diariOnline Região Sul respondeu a algumas questões diretamente relacionadas com o Algarve.

Catarina Alexandra Matos Marques, tem 44 anos, é Professora de Educação Especial no Agrupamento de Escolas Tomás Cabreira em Faro.

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É dirigente do Sindicato dos Professores da Zona Sul.

Foi eleita no Conselho Pedagógico da Escola Superior de Educação da Universidade do Algarve. Foi dirigente associativa no Clube Desportivo de Montenegro e Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas de Montenegro.

Foi eleita na Assembleia de Freguesia de Montenegro e na Assembleia Municipal de Faro. É membro da Direção da Organização Regional do Algarve do PCP e da Comissão Concelhia de Faro do PCP.

diariOnline Região Sul (dRS): Quais as principais prioridades para a região algarvia?

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Catarina Marques (CM): A região algarvia detém todas as condições para ser uma região administrativa e, como tal, uma das prioridades é a necessidade de se avançar com o processo de regionalização.

A regionalização irá contribuir para que o Algarve encontre as soluções adequadas aos seus problemas. Essas soluções terão de estar presentes nas respostas aos direitos e rendimentos dos trabalhadores e dos reformados, nos direitos de jovens, pais e crianças, no desenvolvimento do aparelho produtivo, no reforço dos serviços públicos, nos meios e vias de transporte, na defesa do meio ambiente, no direito à habitação e no equilíbrio do nosso território, combatendo assimetrias, despovoamento e desertificação de zonas da região.

dRS: Que medidas imediatas devem ser adotadas?

CM: Pela prolongada luta que tem sido travada contra as portagens na Via do Infante que a primeira medida deveria passar pela abolição das portagens ainda no ano de 2022. Por outro lado pensamos que no Algarve são bem visíveis as consequências nefastas da redução do investimento público, pelo que a medida mais imediata será o aumento desse investimento na região.

O aumento do investimento público deve ser aplicado no setor dos transportes e mobilidade das populações, nomeadamente através da eletrificação da linha ferroviária e na aquisição de novos materiais circulantes, na conclusão das obras de requalificação da EN-125, na construção da ponte internacional entre Alcoutim e Sanlúcar, na conclusão do IC4 e do IC27, nas obras no Porto Comercial de Portimão de forma a aumentar a capacidade de receção de navios cruzeiro, no investimento no Porto Comercial de Faro, na reversão da privatização da ANA-Aeroportos.

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O aumento do investimento público deve ser aplicado também no reforço dos serviços públicos, particularmente no Serviço Nacional de Saúde, através da contratação de mais profissionais, de investimento ao nível de equipamentos e infraestruturas, nomeadamente com a construção do Hospital Central do Algarve e de novas instalações para o Hospital de Lagos, a par de obras de reabilitação e requalificação das instalações existentes.

O aumento do investimento público deve ser aplicado em alargamento da oferta pública de habitação e na mobilização de recursos para habitação a custos controlados.

dRS: Que modelo de desenvolvimento defende para a região?

CM: O Algarve é uma região com enormes potencialidades para o seu desenvolvimento e tem sido aproveitada exclusivamente do ponto de vista do turismo e atividades complementares.

Na perspetiva da CDU, é urgente uma nova política económica para a região que aposte na diversificação da atividade económica e no desenvolvimento do aparelho produtivo. Na agricultura precisamos de avançar para a criação de um matadouro público regional e de investimento no regadio e noutras infraestruturas de apoio à atividade agrícola. Na floresta é urgente a implementação de um plano de ordenamento florestal em ligação aos criadores de gado, aos produtores florestais, visando o desenvolvimento da floresta autóctone e a reposição de serviços governamentais de apoio à atividade.

Nas pescas é necessária a implementação de uma política orientada para o desenvolvimento de estruturas públicas de apoio, monitorização e acompanhamento do setor. É urgente a requalificação dos portos de pesca, a realização de dragagens e desassoreamentos e a criação de condições de trabalho e segurança para profissionais e embarcações.

Na indústria é preciso voltar à transformação, adequada às novas realidades e incorporando os avanços tecnológicos, designadamente na indústria conserveira, na extração e produção de sal, na cortiça, na reparação e construção naval.

dRS: Em que medida a candidatura pode fazer a diferença?

CM: A candidatura da CDU corresponde a uma política alternativa, patriótica e de esquerda, a única com condições para dar resposta aos problemas do Algarve. Aliás, o trabalho desenvolvido na região ao longo de décadas é testemunho de uma intervenção política profundamente ligada às aspirações dos trabalhadores e das populações. E, é nesse sentido, que esta candidatura faz a diferença.

dRS: Como gostaria de ver o Algarve daqui a 4 anos?

CM: Gostaria de ver o Algarve transformado numa região de progresso económico e social, com um planeamento democrático do território e com uma democratização da gestão e usufruto dos recursos naturais.

Para além disso, gostaria de ver os algarvios com empregos estáveis e melhores salários. Gostaria de ver os reformados com melhores pensões. Gostaria de ver uma escola pública democrática, inclusiva e de qualidade para todos. Gostaria de ver todos com acesso à saúde e à habitação.

Gostaria de ver uma rede pública e gratuita de creches e lares. Gostaria de ver um operador público rodoviário a dar resposta à mobilidade na região.

Gostaria de ver um desenvolvimento integrado da região, afastado das opções de uma política de direita de PS e PSD que prejudicam as condições de vida das pessoas e impedem o crescimento do Algarve.

A lista da CDU candidata pelo círculo eleitoral do Algarve, que tem como mandatária Rosa Palma (presidente da Câmara Municipal de Silves), é composta da seguinte forma:

Catarina Marques (PCP)

Mário Cunha (PCP)

Joana Sanches (PCP)

João Carlos Correia (PCP)

Paula Vilallonga (PEV)

Maria Clara Andrade (independente)

Nelson Trindade (PCP)

João Carlos Jesus (independente)

Matilde Mendonça (PCP)

Nota: O jornal diariOnline Região Sul endereçou um conjunto de questões a todas as forças políticas que se apresentam às eleições legislativas, pelo círculo de Faro. Os artigos são publicados durante o período de campanha eleitoral (com exceção das forças políticas que não responderam em tempo útil).

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