“O Algarve e os Algarvios tratados com a dignidade que merecem” Luís Gomes / PSD

Luís Gomes, Cabeça de Lista do PSD (Partido Social Democrata) pelo Círculo de Faro, às Eleições Legislativas agendadas para 30 de janeiro de 2022, em entrevista exclusiva ao jornal diariOnline Região Sul respondeu a algumas questões diretamente relacionadas com o Algarve.

Luís Filipe Soromenho Gomes é docente na Universidade do Algarve, consultor na área do Ordenamento do Território e tem uma vasta carreira política, sempre ligada ao Algarve.

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Foi Presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António entre 2005 e 2017 e deputado à Assembleia da República na IX Legislatura, entre 2002 e 2005, integrando a Comissão Permanente do Poder Local, Ordenamento do Território e Ambiente.

Iniciou a sua carreira profissional como Secretário Executivo da ODIANA - Associação para o Desenvolvimento do Baixo Guadiana.

Luís Gomes tem 48 anos e é pai de quatro filhos.

diariOnline Região Sul (dRS): Quais as principais prioridades para a região algarvia?

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Luís Gomes (LG): A nossa grande prioridade para o Algarve é dignificar os algarvios e isso significa termos um Governo que cumpra os seus principais compromissos. É preciso relembrar que nos últimos 26 anos, o Partido Socialista governou 19 e o PSD apenas 7 anos e em contextos de particular dificuldade.

Acredito que há 3 questões fundamentais, no Algarve, que estão ainda por resolver: a qualidade do acesso à saúde, a mobilidade (requalificação da EN125, portagens da A22 e transportes públicos) e a coesão territorial, que inclui medidas concretas de forma a integrar o interior no modelo de desenvolvimento económico e territorial da região.

dRS: Que medidas imediatas devem ser adotadas?

LG: No âmbito da saúde é importante aumentar a cobertura da rede de cuidados primários, garantindo médicos de família aos cidadãos. Temos de nos comprometer com a construção do Hospital Central do Algarve e com o reforço do investimento em recursos humanos nos hospitais de forma a pôr um ponto final nas longas filas de espera que fazem parte da realidade no Algarve.

No que toca à mobilidade na região temos de criar, urgentemente, uma verdadeira rede de transporte públicos que seja ambientalmente sustentável. Consideramos que são necessários investimentos na eletrificação da Linha Ferroviária do Algarve, na criação de um sistema de metro ligeiro entre Faro, Olhão e Loulé, que considere uma ligação ao Aeroporto Internacional de Faro, e na coordenação dos serviços de autocarros de cariz municipal. Estamos também empenhados em requalificar a EN-125 e em rever a política de portagens na A22.

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No âmbito económico é urgente diversificar a base económica da região, valorizando os recursos endógenos e o desenvolvimento de empresas de base tecnológica.

Por fim, vamos trazer o tema da regionalização para a discussão pública para que possa ser implementada com ganhos para o Algarve

dRS: Que modelo de desenvolvimento defende para a região?

LG: O Algarve precisa de continuar o seu caminho na qualificação da oferta turística e, fundamentalmente, na diversificação da sua base económica. Esta mudança de paradigma, na estrutura económica da região, passa pela aposta no setor das tecnologias de informação como alavanca para uma mudança estrutural e, ao mesmo tempo, sustentável. A Universidade do Algarve tem um papel decisivo neste processo.

Neste quadro, é prioritário acelerar a construção do cluster TIC no Algarve e, aproveitando o facto de Portugal ter sido considerado o melhor país do mundo para viver, destacando-se pela melhor qualidade de vida, vamos ser capazes de aqui fixar cada vez mais pessoas e durante mais tempo.

O setor agrícola é um desafio que tem de ser agarrado. Produtos como a laranja, os limões, a alfarroba, os figos e as amêndoas estão intrinsecamente ligados ao Algarve e se otimizarmos a produção tradicional conseguiremos aumentar a criação de riqueza e, com esse impulso, criaremos mais postos de trabalho. Contudo é importante, e com urgência rever os Planos Diretores Municipais da região e o Plano Regional de Ordenamento do Território. Os instrumentos de ordenamento do território completamente obsoletos têm provocado desigualdades sociais, com consequências cada vez maiores no acesso à habitação.

Por fim, a economia azul pode ser uma ferramenta crucial no desenvolvimento regional. Devemos por isso apostar em atividades que privilegiem a pesca, a aquicultura, a biotecnologia marinha e, ainda, as energias renováveis marinhas, capazes de aumentar a independência energética de Portugal face ao exterior.

dRS: Em que medida a candidatura pode fazer a diferença?

LG: A minha experiência, profissional e política, sempre se pautou pelo trabalho de proximidade, de estar junto dos problemas das pessoas. Esta é a candidatura que não assenta num portfólio de promessas repetidas. É uma candidatura que dará a cara pelas pessoas, porque na verdade as nossas reivindicações assentam em pressupostos que já, há muito, deveriam estar assegurados como o acesso digno aos serviços de saúde.

Estou completamente desprendido de lugares, interessa-me assegurar aquilo que já há décadas deveria ter sido assegurado ao Algarve. É anedótico que o maior destino turístico do País, e um dos mais importantes da Europa, tenha o seu principal eixo de atravessamento, com o caso da EN125, no estado em que se encontra.

Lamentavelmente representamos poucos votos, mas damos um relevante contributo financeiro à economia portuguesa. Temos de nos posicionar, politicamente, de forma diferente, inclusivamente dentro do meu próprio partido. Por isso, assumo claramente o compromisso, caso o meu partido ganhe as eleições, de não me voltar a candidatar se, num prazo de 4 anos, não for assegurado melhorias claras no acesso à saúde por parte dos algarvios.

dRS: Como gostaria de ver o Algarve daqui a 4 anos?

LG: Gostaria de ver o Algarve e os Algarvios serem tratados com a dignidade que merecem e que as prioridades que expus, e que fazem parte do nosso programa, sejam claramente asseguradas.

A lista do PSD candidata pelo Círculo Eleitoral do Algarve, que tem como mandatário o próprio Luís Gomes, é composta da seguinte forma:

- Luís Filipe Soromenho Gomes

- Rui Celestino dos Santos Cristina

- Ofélia Isabel Andrés da Conceição Ramos

- Dinis Manuel da Palma Faísca

- Álvaro José Martins Viegas

- Helena Maria Palhota Dias Simões

- Bruno Sousa Costa

- Tiago Alexandre Godinho Mateus

- Inês Tamissa de Barros

Nota: O jornal diariOnline Região Sul endereçou um conjunto de questões a todas as forças políticas que se apresentam às eleições legislativas, pelo círculo de Faro. Os artigos são publicados durante o período de campanha eleitoral (com exceção das forças políticas que não responderam em tempo útil).

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