“Merecemos mais! Mais hospitais, mais qualidade de vida, mais saúde” Ana Poeta / PAN

Ana Poeta, Cabeça de Lista do PAN (Pessoas, Animais, Natureza) pelo Círculo de Faro, às Eleições Legislativas agendadas para 30 de janeiro de 2022, em entrevista exclusiva ao jornal diariOnline Região Sul respondeu a algumas questões relacionadas com o Algarve, explicando os pontos fortes da candidatura.

Ana Poeta, 42 anos, é formada em Animação Socioeducativa e Mestre em Educação de Adultos e Desenvolvimento Local.

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Atualmente trabalha como técnica de educação de adultos em projetos de desenvolvimento local, nomeadamente sobre o estilo de dieta mediterrânico e a alimentação sustentável.

Natural de Ribeira de Frades, no distrito de Coimbra, escolheu Loulé em 2005 para educar o filho e para trabalhar na área do desenvolvimento local sustentável.

Nas últimas Autárquicas, em setembro, Ana Poeta encabeçou a candidatura do PAN à Câmara Municipal de Loulé, obtendo 2,52%, com 628 votos.

diariOnline Região Sul (dRS): Quais as principais prioridades para a região algarvia?

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Ana Poeta (AP): São inúmeras as prioridades, fruto dos problemas que enfrentamos diariamente. Por exemplo, antes da pandemia o Hospital de Faro já enfrentava dificuldades - espaço insuficiente, recursos humanos escassos, saída precoce de médicos e enfermeiros muito pela não valorização profissional e parcas condições de trabalho. A pandemia veio agravar ainda mais esta situação, alocando os profissionais a outras funções, deixando as consultas de especialidade, tratamentos e cirurgias ainda mais fragilizadas e ficando sistematicamente dependentes de contratação externa. Outro exemplo são os cuidados de saúde primários, que têm cada vez mais utentes mas, no entanto, as entradas de pessoal não acompanham essa evolução.

Relativamente à mobilidade, é consensual que a EN125 não é neste momento uma opção. Atualmente encontra-se degradada em muitos pontos, obsoleta e incapaz de permitir fluidez do fluxo viário sem apresentar constrangimentos. Por outro lado, o problema da habitação atingiu proporções dramáticas e as dificuldades em encontrar casa para arrendar ou comprar são imensas: os preços são incomportáveis para a maioria das pessoas, mais de metade do parque habitacional está destinado ao turismo e muitos dos arrendatários são despejados na época alta para que os senhorios “aproveitem” o turismo, o que é inadmissível.

Aliadas a estas vulnerabilidades ainda temos a questão da emergência climática. Estamos a utilizar os recursos ao extremo permitindo a má gestão da água, a má gestão da agricultura e dos solos e consequentemente a penhorar o futuro dos nossos filhos e filhas e o nosso próprio futuro.

Importa ainda referir que é fulcral colocar na agenda política a proteção animal: praticamente todos e todas nós temos ou conhecemos alguém com animais em casa, com dificuldades em pagar as despesas veterinárias, por exemplo. Ou conhecemos alguém que cuida de animais errantes, ou sabemos de um local onde estão animais em más condições. Vejamos por exemplo as denúncias efetuadas por turistas relativamente aos equídeos que se encontram próximo das estradas em péssimas condições físicas e de saúde.

dRS: Que medidas imediatas devem ser adotadas?

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AP: Hoje lutamos contra uma crise com 4 frentes: sanitária, social, económica e ambiental. Uma crise complexa, que infelizmente apenas veio comprovar o que o PAN tem vindo a alertar: a saúde humana e a saúde do planeta são apenas uma e não podem ser dissociadas uma da outra. Estamos todos/as interligados/as e por isso as prioridades estão também interligadas.

Ao nível da saúde, importa defender desde já a construção do Hospital Central do Algarve e a recuperação ou ampliação dos centros de saúde sem esquecer a contratação de médicos de família e enfermeiros. Uma das ferramentas para a atração de profissionais prende-se com a oferta e procura de habitação.

A gestão da habitação e a especulação dos preços do mercado imobiliário têm sido obstáculos à atração de mão de obra e consequentemente para a qualidade dos serviços prestados. Precisamos de casas condignas, acessíveis e com contratos de arrendamento anuais. Precisamos de políticas sérias de apoio ao arrendamento. O relacionamento oferta e procura de habitação também poderá estar interligado com a mobilidade e a rede de transportes públicos, que é insuficiente e incapaz de dar resposta às necessidades dos/das algarvios/as e de quem nos visita. Soluções como a ferrovia, a eliminação do pagamento de portagens na via do Infante e requalificação da EN125 são ferramentas de desenvolvimento e coesão social e territorial essenciais.

Importa reforçar que a natureza não precisa de nós, mas nós precisamos dela. Dela provém a água, o ar e os alimentos. É urgente colocar em prática as orientações do Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas. Pode parecer um discurso assustador ou extremista, mas a verdade é que a temperatura máxima está a aumentar, os incêndios são cada vez mais intensos, a falta de água na rede pública e nos furos é cada vez mais uma constante, a subida do preço dos alimentos aumenta e aumenta também o número de doentes respiratórios ou oncológicos. Não é por acaso! A Terra está doente e nós estamos a adoecer com ela. Que outro desastre natural precisaremos de ter para perceber que o nosso comportamento é insustentável? Temos de mudar hábitos, comportamentos e parar de explorar o planeta como se tivesse recursos infinitos.

No que concerne à causa animal sublinho a problemática dos animais errantes, a necessidade de implementar o programa CED (Captura- Esterilização e Devolução) e de construir (ou em alguns casos melhorar e ampliar) os Centros de Recolha Oficial, e com eles, melhorar e ampliar os serviços médicos veterinários prestados às famílias mais vulneráveis.

dRS: Que modelo de desenvolvimento defende para a região?

AP: O PAN defende um modelo de desenvolvimento local integrado e sustentável, isto é, um desenvolvimento que seja resultado de um processo de cidadania e participação ativa das populações, que permita a valorização dos produtos endógenos e da identidade local. Nem sempre o conceito de desenvolvimento é puramente financeiro ou económico, o desenvolvimento é mais abrangente e engloba todas as vertentes.

Um modelo baseado num diagnóstico transparente e neutro, que respeite a finitude dos recursos e que garanta a proteção e a regeneração dos ecossistemas.

Um modelo com soluções de base natural que ajude a comunidade a enfrentar os desafios, através da valorização dos serviços de ecossistemas locais e reequilibrando as relações com suas áreas de proximidade.

dRS: Em que medida a candidatura pode fazer a diferença?

AP: Diariamente sou inspirada para tornar o mundo melhor, pelos que comigo se cruzam, pelos que no anonimato fazem a diferença. Não sendo perfeita, nem melhor ou pior que os/as outros/as candidatos/as, sou diferente pelas causas que defendo, porque não prevejo um futuro sustentável que não seja construído na base do respeito e na equidade dos 3 pilares fundamentais: as Pessoas, os Animais e a Natureza.

Temos uma candidatura diferente porque queremos romper de uma vez por todas com os modelos atuais económicos e de consumo. O futuro depende de nós e do que fazemos hoje.

Acredito nos valores e missão PAN, acredito na resiliência dos/das algarvios/as, porque as causas que defendo não são meramente ideias teóricas, nem eu sou apenas mais uma candidatura.

Em 2005 escolhi o Algarve para recomeçar e passei por todas as dificuldades descritas atrás: tive empregos precários, com horários de trabalho máximos e ordenados mínimos, tive de fazer 400 km para poder fazer exames médicos, tive dificuldade em encontrar berçário ou creche para o meu filho, tive dificuldade em encontrar casa para morar. Já recorri a banco de alimentos, já falhei o pagamento da eletricidade, já tive uma empresa que tive de fechar. Senti na pele o que a maioria das pessoas sente.

Conheço as dificuldades e estou focada em conseguir o melhor para os/as algarvios/as e para o Algarve.

Merecemos mais! Mais hospitais, mais qualidade de vida, mais saúde.

dRS: Como gostaria de ver o Algarve daqui a 4 anos?

AP: Gostaria de ver o Algarve exatamente como gostaria de me ver a mim: com a crise sanitária, social, económica e ambiental superadas.

Os próximos 9 anos serão os últimos onde podemos trabalhar afincadamente para o cumprir a Agenda 2030, da ONU, para tal devemos tomar medidas globais e adaptadas à realidade local e ao nível doméstico. Se cada um de nós fizer a sua parte, na nossa casa, a diferença será visível.

A lista do PAN candidata pelo Círculo Eleitoral do Algarve, que tem como Cabeça de Lista Ana Poeta, é composta da seguinte forma:

- Ana Poeta

- Saul Rosa

- Alexandre Pereira

- Daniela Duarte

- Maria João Sacadura

- Armando Frade

- Sara Santos

- Abílio Guerreiro

- Elza Cunha

Nota: O jornal diariOnline Região Sul endereçou um conjunto de questões a todas as forças políticas que se apresentam às eleições legislativas, pelo círculo de Faro. Os artigos são publicados durante o período de campanha eleitoral (com exceção das forças políticas que não responderam em tempo útil).

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