“Construção do Hospital Central do Algarve é a causa das causas” Jamila Madeira / PS

Jamila Madeira, Cabeça de Lista do PS (Partido Socialista) pelo Círculo de Faro, às Eleições Legislativas agendadas para 30 de janeiro de 2022, em entrevista exclusiva ao jornal diariOnline Região Sul respondeu a algumas questões relacionadas com a região algarvia, dando a conhecer as prioridades da candidatura.

Jamila Madeira nasceu em 1975, em Loulé. É licenciada em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão. Na sua formação completou também em 2011 o Mestrado em Finanças no ISCTE.

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Em 1994 tornou-se militante da Juventude Socialista, organização na qual desempenhou vários cargos ao nível local (Loulé) e regional (Algarve) tendo, em 2000, sido eleita Secretária-Geral. Foi deputada à Assembleia Municipal de Loulé, deputada à Assembleia da República e deputada do Parlamento Europeu.

Integrou o XXII Governo Constitucional, na qualidade de Secretária de Estado Adjunta e da Saúde. Integra, desde 1998, os quadros da REN – Redes Energéticas Nacionais, onde, atualmente assume a função de consultora para a Agenda Europeia de Energia.

Mãe de dois filhos é pela segunda vez a cabeça de lista do Algarve, pelo Partido Socialista, às eleições legislativas.

diariOnline Região Sul (dRS): Quais as principais prioridades para a região algarvia?

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Jamila Madeira (JM): O Partido Socialista quer continuar, no Algarve, o trabalho com que se comprometeu há dois anos, nas eleições legislativas de 2019, e que mereceu a confiança da maioria dos Algarvios. Muitos dos compromissos assumidos na altura estão já alavancados e é imperativo que sejam concluídos. A estas eleições apresentamos um programa de consolidação que se apoia nos seguintes pilares, a saber:

1 - A construção do Hospital Central do Algarve e a melhoria, sobretudo ao nível da reabilitação, novos edifícios e reequipamento dos centros de saúde do Algarve com mais de 39 milhões de investimento;

2 - A melhoria das acessibilidades, para que possamos ser mais competitivos e a este respeito, a título de exemplo, vamos trabalhar pela criação de um metro de superfície com ligação à Universidade do Algarve, ao Aeroporto e ao novo hospital no parque das cidades. O resgate da concessão da EN125 e a eletrificação da ferrovia;

3 - A concretização dos investimentos de 200 milhões de euros inscritos no Plano de Eficiência Hídrica do Algarve, como a dessalinizadora, a captação de água do rio Guadiana para recargar a barragem de Odeleite e a retenção em múltiplas pequenas represas as águas que escorrem para o mar aumentando as reservas de água à superfície, para além da reutilização das águas residuais tratadas para fins agrícolas ou urbanos, de forma a garantirmos água em qualidade e quantidade para o nosso futuro.

4 - A diversificação da economia, com apoios à criação de novas áreas de exploração e com os apoios às empresas já existentes procurando alavancar sectores que permitam reduzir o peso percentual do turismo na economia regional.

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5 - A construção de milhares de casas a custos acessíveis destinados à classe media, aos jovens e aos trabalhadores. Neste momento já existem 3322 casas contratualizadas entre Governo e câmaras municipais para construir.

dRS: Que medidas imediatas devem ser adotadas?

JM: De imediato e porque é um projeto que o Algarve já reclama há muito tempo, mas que a Pandemia travou nos últimos dois anos é, sem qualquer margem para dúvidas, a construção do novo Hospital Central do Algarve. É a causa das causas e acreditamos que nos próximos meses de 2022 a construção do hospital ficara decidida.

Porém, a pandemia reiterou a necessidade de diversificarmos a economia da Região, que, como todos sabemos, está muito assente no Turismo. Apoiar o setor do Turismo nesta fase complicada constitui também uma prioridade, mas não pode ser a única e vamos ter 300 milhões de euros para alargar a base económica da região.

A água, porque água é vida, estes investimentos urgem e por isso mesmo as águas do Algarve já têm em curso a escolha do local para a instalação da central de dessalinização.

dRS: Que modelo de desenvolvimento defende para a região?

JM: No seguimento do que respondi anteriormente, é também muito urgente lançar as bases da diversificação da economia. Temos 300 milhões de euros para esse efeito e temos ideias muitos concretas relativamente à forma como o queremos fazer. Isso passa pela criação, no Algarve, de um Centro de investigação na área do Envelhecimento ativo ligado ao Algarve Biomedical Center, passa também por reforçar o Cluster da Saúde da região com o Centro de Referência Oncológico e um centro de procriação mediamente assistida, ou pelo desenvolvimento de um polo tecnológico ligado ao desporto motorizado, entre muitas outras ligadas à valorização dos produtos agrícolas, piscícolas, da apicultura, salicultura entre outros, ajudando na diferenciação e nos circuitos comerciais adequados para potenciar esses mesmos produtos, sempre assegurando a excelência ambiental e o claro respeito e salvaguarda da biodiversidade. Não é naturalmente à toa que depois de 21 anos sem ser criada nenhuma nova reserva natural surge a Reserva Natural da Lagoa dos Salgados uma luta e conquista do Algarve, mas permitam-me que o diga dos deputados do Partido Socialista do Algarve que muito se empenharam para que tal fosse uma realidade. 

Esta diversificação da base económica vai impactar toda a economia da Região, gerando emprego, mais qualificado, maior e mais diferenciada formação, o que, por sua vez, vai trazer mais pessoas para o Algarve, que, de forma permanente, em todos os meses do ano e em toda a Região, vão dar novo fôlego e diversidade à economia, mais coesão e justiça social.

dRS: Em que medida a candidatura pode fazer a diferença?

JM: O projeto do Partido Socialista para Portugal e, naturalmente, para o Algarve, é o mais diferenciado de todos, porque, efetivamente, coloca as pessoas em primeiro lugar, com o objetivo de que todas – repito, todas – tenham a oportunidade de ver as suas expectativas concretizadas e consigam realizar-se, pessoal e coletivamente, na nossa região. Tal só é possível se o essencial estiver garantido: boa escola pública, habitação digna, trabalho, justiça e cuidados de saúde de qualidade, acesso à água. Estes continuam a ser os grandes compromissos do Partido Socialista para com a sociedade portuguesa. Paralelamente, estamos já a trabalhar, e vamos, naturalmente, continuar o desenvolvimento de políticas que travem a crise climática, que constituiu uma verdadeira ameaça para o mundo e também para o Algarve, que favoreçam o aumento da taxa de natalidade, a transição digital e que dilatem a solidariedade e justiça social.

É assim que o Partido Socialista está em Portugal e também no Algarve. Temos projetos concretos, como os que, a título de exemplo, já referi, sendo que muitos deles estão já em velocidade cruzeiro e não podem ser travados, sob pena de não aproveitarmos os apoios extraordinários que, em resposta à pandemia e a título excecional, foram disponibilizados pela União Europeia. E o facto de muitos destes projetos já estarem a andar pelas mãos do Partido Socialista é, em si, também, em si só, um fator bastante diferenciador desta candidatura. Portugal e o Algarve não podem perder mais tempo.

dRS: Como gostaria de ver o Algarve daqui a 4 anos?

JM: Daqui a quatro anos, quero que o Algarve continue a ser um dos melhores destinos de férias do mundo, com tudo o que isso traz de benéfico para a economia regional e nacional.

Mas quero, sobretudo, que seja uma Região de riqueza durante todo o ano e através de vários setores. Com água em quantidade e qualidade. Tendo esta diversificação da economia proporcionado, como já tive oportunidade de dizer, impacto em tudo o resto, que é o que é verdadeiramente essencial: permitir que todos as algarvias e algarvios tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade, à melhor escola pública, que, em caso de vulnerabilidade possam ter no Estado um apoio, que tenham oportunidades de emprego e habitação segura condigna e confortável.

Quero, também, um Algarve com mobilidade fácil e acessível entre os diversos municípios e com o resto de Portugal e do mundo e quero que, juntos, os Algarvios se constituam como exemplo e referência de mudança de atitude e de formas de vida em prol da sustentabilidade ambiental e climática.

Este é o caminho que já começámos, de forma mais intensa, há dois anos e que queremos retomar, a partir de 30 de janeiro, com a garantia de que, daqui a quatro anos, com a colaboração e empenho de todos, estaremos muito mais perto desse Algarve que defendo e de que tanto gosto.

A lista do PS candidata pelo círculo eleitoral do Algarve, que tem como Cabeça de Lista Jamila Madeira, é composta da seguinte forma:

- Jamila Madeira

- Jorge Botelho

- Luís Graça

- Isabel Guerreiro

- Francisco Oliveira

- Tatiana Gouveia 

- Sofia Belchior

- Abel Matinhos

- Célia Paz

Nota: O jornal diariOnline Região Sul endereçou um conjunto de questões a todas as forças políticas que se apresentam às eleições legislativas, pelo círculo de Faro. Os artigos são publicados durante o período de campanha eleitoral (com exceção das forças políticas que não responderam em tempo útil).

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