diariOnline Região Sul

“Não podemos aceitar que os governos continuem a tratar-nos como ‘enteados’” Jorge Rodrigues de Jesus / ADN

Jorge Rodrigues de Jesus é o cabeça de lista do Partido ADN - Alternativa Democrática Nacional pelo Circulo de Faro às Eleições Legislativas de 30 de janeiro, e em entrevista exclusiva ao jornal diariOnline Região Sul não só respondeu às questões colocadas sobre a região do Algarve como apresenta o programa político para a região.

Jorge Rodrigues de Jesus, tem 47 anos, é natural de Angola, reside em Silves e é professor, mas actualmente exerce um projecto empresarial. Tem uma formação académica muito diversificada, com várias pós-graduações, sendo a última em Gestão Autárquica. É também investigador/autor escrevendo vários ensaios. Decorria o ano 2017, quando Jorge Rodrigues de Jesus nos sobressaltou com o ensaio "Da Crise ao Colapso Democrático" a que infelizmente passados cinco anos assistimos claramente à destruição da nossa liberdade em todos os sentidos, porque as instituições democráticas foram "desmanteladas". Jorge Rodrigues de Jesus lançará em janeiro o ensaio "Da Pandemia à Guerra".

Pub

diariOnline Região Sul (dRS): Quais as principais prioridades para a região algarvia?

Jorge Rodrigues de Jesus (JRJ): Todos sabemos dos vários problemas que o Algarve tem, mas o que não podemos aceitar é que os sucessivos governos continuem a tratar-nos como “enteados”.

As consequências são evidentes, a nossa região é cada vez mais uma região com características de subdesenvolvimento que nem a intensa atividade turista consegue disfarçar.

Programa Politico para o Algarve, somos ambiciosos.

 

Saúde:

Exigiremos o cumprimento da Construção de um novo Centro Hospitalar. Estamos fartos de décadas de promessas.

Pacote de estímulos para a fixação de técnicos de saúde.

Mas também queremos transformar o Algarve, no Principal Polo Europeu de Turismo de Saúde. A nossa Região, climaticamente é das melhores do mundo para o turismo de saúde, contudo quase tudo está por fazer para que de facto os Europeus abastados nos procurem sobretudo entre o Outono e a Primavera. O desenvolvimento do Turismo de Saúde vai dar um enorme contributo para interromper definitivamente a sazonalidade do turismo no Algarve.

 

Rede de Transportes:

As nossas medidas não são neste sector diferente do que tem sido “propaganda” de largos anos dos partidos do sistema, a diferença é que connosco não será propaganda mas efectiva luta em Lisboa. Por conseguinte, desde já, impor a ligação TGV de Faro a Sevilha porque é estratégico, para o nosso desenvolvimento. Ficará assim criado um circuito de referencia para do Sudoeste Ibérico, que dará à nossa região uma escala internacional até hoje nunca alcançada.

Exigir a conclusão da eletrificação da Linha do Algarve. (Ainda não foi adjudicada a obra para o troço entre Tunes e Lagos) e obviamente renovar as carruagens.

Insistir na Ligação por metro de superfície, desde a estação de Faro até ao Aeroporto, passando necessariamente pela Universidade do Algarve, Parque das Cidades (com o futuro Hospital Central do Algarve) e chegando a Loulé (através da zona poente da cidade, pelo corredor da Franqueada).

Nova Linha do Litoral Algarvio em metro de superfície, de proximidade às populações e de nova atracção turística da Região. Não podemos continuar a aceitar que as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto tenham uma rede de transportes de “primeiro mundo”, pago por todos os contribuintes do país e o Algarve sem uma rede de transportes minimamente aceitável para o seculo XXI, que ligue todos os concelhos da região.

Linha Rodoviária, ZERO Emissões de gases, Zero de Pagamento para residentes com Autocarros Eléctricos que fazem o circuito entre vários concelhos ao longo do dia.

Desenvolver ECO - Ciclovias que efectivamente melhor a mobilidade das pessoas, e desenvolver Ciclovias - turísticas ao longo da orla costeira.

 

Promoção da Coesão Territorial:

Reabilitação das Aldeias, apetrechando as mesmas com acesso de Luz, água e segurança. Caberá também aos municípios serem facilitadores do regresso das pessoas às suas origens, criando um Gabinete de Apoio para a Coesão Territorial.

As Atividades agrícolas e florestais no Algarve, tem um longo caminho e de elevado potencial, no qual, se deve apostar em espécies endógenas. Destaco particularmente a Alfarrobeira, amendoeira, o mel e seus derivados, e o figo. Obviamente que há uma série de outros produtos, mas estes todos conhecem como bons exemplos

Devemos também olhar para os 200km de extensão costeira de forma mais ambiciosa, a mar é um recurso extraordinário subaproveitado, a Ria Formosa também passa pelo mesmo fenómeno. São 2 recursos naturais que têm de ser alavancados pelo seu enorme potencial.

 

Cluster do Mar:

Pesca, Conservação e Transformação do Pescado, Potenciais e oportunidades:

Importância do setor no conjunto da economia do mar em Portugal, em termos de VAB e de emprego é importante; Qualidade reconhecida ao pescado português; Capacidade e dinâmica empresarial para a transformação e valorização de recursos marinhos e aproveitamento de subprodutos e desperdícios das atividades do setor; A valorização de novas espécies; Capacidade exportadora do setor dos congelados e transformação de pescado;

Indústrias Navais Potenciais e oportunidades: Posição geográfica privilegiada face ao cruzamento de algumas das principais rotas mundiais de transporte marítimo; O clima propício, com um nível de humidade baixo, em relação aos outros países da Europa, é uma vantagem competitiva para o Algarve na reparação naval;

Aquacultura Potenciais e oportunidades: Posição biogeográfica do Algarve possibilita a exploração de várias espécies com valor económico provenientes do Atlântico e do Mediterrâneo;

Atividades desportivas náuticas: kitesurf, canoagem, surf, mergulho…

 

Reindustrialização do Algarve e as Novas Industrias como:

Industria 4.0

Captar e desenvolver a Indústria 4.0. Este tipo de industria congrega um conjunto de tecnologias e métodos de trabalho que se podem dividir e resumir em:

Internet das Coisas - é a ligação estabelecida entre os próprios aparelhos através da internet que, através de sensores transmitem dados sobre utilização, condições climatéricas, estado do próprio objeto...

Computação em Cloud - a realização das operações de processamento não são feitas nos próprios aparelhos mas sim num parque de servidores dedicados que recebem dados de utilizadores e de outros sistemas e os disponibilizam para outros utilizadores e para outros sistemas. Quando haja intervenção de utilizadores quer como fonte quer como destinatário de dados, esta ligação pode ser feita por qualquer terminal que tenha ligação de dados: wearables, smartphones, computadores, tablets, smarttv’s, etc.. A colocação e obtenção de dados poderá ser feita diretamente através de browsers ou através de aplicações web dedicadas;

Data Mining - As elevadas quantidades de informação geradas por todos os equipamentos tecnológicos não têm grande utilidade se não gerarem relatórios de interpretação e apresentação de novos dados, em tempo real, para fiabilizar previsões e aumentar a exatidão de decisões e procedimentos.

As principias cidades portuguesas, já se encontram em pleno desenvolvimento da Industria 4.0, mas o Algarve também nesta matéria como em todas as outras continua a ficar para trás. Lembro a todos, que os sucessivos eleitos pelo Algarve, como todos sabemos são “políticos profissionais”, e como tal têm de prestar vassalagem a Lisboa para continuarem no cargo ou subirem de posto, e por isso nunca disseram BASTA ao esquecimento do Algarve, nem nunca dirão!

 

Industria Criativa

Subdivisões das Indústrias Criativas em 2010, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) criou a seguinte classificação para as indústrias criativas: Sítios culturais: sítios arqueológicos, museus, bibliotecas, exposições

Expressões culturais tradicionais: artes e artesanato, festas, celebrações Artes cênicas: música ao vivo, teatro, dança, ópera, circo, fantoches.

Artes visuais: pintura, escultura, fotografia, antiguidades

Audiovisuais: cinema, televisão, rádio e outros derivados da radiodifusão. Editoração e mídia impressa: livros, imprensa e outras publicações

Novas mídias: softwares, videogames, conteúdos criativos digitalizados

Serviços criativos: arquitetura, publicidade, pesquisa e desenvolvimento, atividades culturais e recreativas

Design: interiores, gráfico, moda, jóias, brinquedos. Tomar conhecimento dessas subdivisões é interessante para ampliar a visão e notar que há muitas áreas que usam o capital intelectual como principal matéria-prima.

dRS: Que medidas imediatas devem ser adotadas?

JRJ: Não tenho dúvidas que o sector da saúde é uma das medidas prioritárias. A nossa região merece muito mais e melhor e é urgente. O SNS está mal e tem vindo a piorar de ano para ano, mas o Algarve a situação ultrapassa tudo o que é razoável.

A questão da mobilidade é no nosso entendimento também prioritário porque os algarvios quando não têm viatura própria, as suas vidas se tornam num “inferno”. É assim porque o Algarve não teve e não tem estruturado ao nível do planeamento urbano e em termos de organização territorial uma rede de transporte regional. As famílias carenciadas, os idosos e os jovens são claramente os mais afectados.

dRS: Que modelo de desenvolvimento defende para a região?

JRJ: Há muito que escrevo e defendo a diversificação da economia do Algarve. O modelo de desenvolvimento da nossa região está falido e arrasta-nos todos também para o empobrecimento. Nenhuma região pode enriquecer, crescer e desenvolver apostando tudo num único sector económico como é caso do Algarve, onde tudo gira á volta do turismo. Isto é assim, por uma profunda incompetência dos autarcas e do governo central. A verdade  é que a crise financeira mundial iniciada em 2008 e agora a pandemia, pôs a nu a nossa total fragilidade social, económica e financeira.

Por conseguinte, defendemos um novo modelo de desenvolvimento, baseado na diversificação da economia, com uma forte aposta na «reindustrialização», no sector agrícola, na economia do mar e claro sendo transversal a economia circular. Obviamente que o turismo irá sempre ser um sector onde daremos enorme importância, mas sem estarmos dependentes deste. Por fim e não menos importante, o nosso Modelo de Desenvolvimento estará alicerçado na I&D, porque acreditamos na investigação e desenvolvimento como pilares sólidos para boas soluções.

dRS: Em que medida a candidatura pode fazer a diferença?

Pub

JRJ: Temos um Programa ambicioso! A lista do ADN, no Algarve é constituída integralmente por independentes do Movimento Cívico VOZ, assim naturalmente a natureza da nossa candidatura, é revolucionária no campo política português. A visão holística do Presidente do ADN, Bruno Fialho possibilitou que cidadãos independentes de forma indireta também pudessem participar nas legislativas. Portanto onde há claramente falta de democraticidade no ato das eleições legislativas porque está vetado a movimentos cívicos, o ADN veio “impor a democracia” de forma muito inteligente. Assim, o ADN demonstra que é contra todo este sistema de interesses, estando na sua génese ideológica o rompimento com tudo isto! O Presidente do ADN, é claramente um dos portugueses mais bem capacitado para mudar Portugal porque interpreta a política como “causa pública” e não como todos os outros, que é por lobby, vaidade pessoal, enriquecimento, etc.

Não vivemos da política, pelo contrário, como muitos de vós vivemos do árduo trabalho que no meu caso começou aos 10 anos de idade! Por isso não tenho de prestar vassalagem a ninguém e por esse facto O ALGARVE TERÁ PELA PRIMEIRA VEZ UM CIDADÃO LIVRE COM A DETERMINAÇÃO E CORAGEM QUE OUTROS NUNCA TIVERAM PARA NOS DEFENDER! O tempo de que dispomos para Transformar o Algarve é limitado, e por isso alerto que não deviam desperdiçá-lo votando nos partidos do regime. Não se deixem aprisionar por dogmas – isso significa viver sob os ditames do pensamento alheio. Não permitam que o ruído das outras vozes supere o sussurro de esperança de sua voz interior que quer um Algarve forte e melhor. E, acima de tudo, tenham a coragem de seguir o vosso coração, a vossa intuição de votar no ADN como a esperança de recuperar para o Algarve a respeitabilidade nacional e por outro lado, a certeza de que, o ADN permitirá numa década transformar o Algarve na maior força económica do país.

dRS: Como gostaria de ver o Algarve daqui a 4 anos?

JRJ: Novamente como uma terra de oportunidades, onde por exemplo, os médicos ou outros profissionais não queiram “fugir” da nossa região, mas sim lutarem para cá ficarem.

Desejo ver uma região com menor desigualdade social e sobretudo que as famílias com menos recursos possam manter os estudos dos seus filhos ao nível universitário. Ambiciono um Algarve moderno onde se torne numa das economias mais competitivas de Portugal, onde se “respire” inovação mas também onde haja uma forte consciência ambiental.

Pub

Queremos voltar a ver os algarvios a sorrir e a sentirem que já não são tratados pelo poder de Lisboa como “enteados”, e assim termos orgulho por sermos uma região coesa e de forte desenvolvimento.

A composição da lista candidata do ADN pelo círculo eleitoral de Faro, que tem como mandatário distrital , é a seguinte:

1 - Jorge Rodrigues de Jesus (cabeça de lista)

2 - Bárbara Moita

3 - José Neves

4 - Manuel Merceano

5 - Filomena Neves

6 - Rui Santos

7 - Tiago Possante

8 - Cátia Ribeiro

9 - Paulo Ventura

10 - António Santos

11 - Carla Almeida

12 - João Correia

13 - Milena Bezerra

Nota: O jornal diariOnline Região Sul endereçou um conjunto de questões a todas as forças políticas que se apresentam às eleições legislativas, pelo círculo de Faro. Os artigos são publicados durante o período de campanha eleitoral (com exceção das forças políticas que não responderam em tempo útil).

Pub
Mais em Política
CHUA
Chega organiza vigília pela construção do Hospital Central do Algarve

O Chega vai organizar uma vigília pela construção do Hospital Central do Algarve, no próximo dia 27 de maio, em redor das atuais instalações

Parlamento
PS apresenta proposta de alteração ao OE2022 para apressar Hospital Central do Algarve

Os deputados do Partido Socialista (PS) eleitos pelo Algarve apresentaram uma proposta de alteração do Orçamento do Estado para 2022 para

Chega
Deputado eleito pelo Algarve ouviu órgãos distritais do Chega

Pedro Pinto, deputado do Chega eleito pelo Algarve, esteve na sede regional do partido, em Faro, na passada sexta-feira, 3, para ouvir os

Bloco de Esquerda organizou Fórum da Água

Decorreu no passado dia 7 de maio no Centro Autárquico de Quarteira o Fórum da…