Biblioteca de Loulé recebe apresentação de “As Pessoas Invisíveis”

A diretora regional de Cultura, Adriana Freire Nogueira, apresenta na próxima terça-feira, 17 de maio, pelas 18h30, o livro “As pessoas invisíveis”, de José Carlos Barros, uma sessão integrada na rubrica “Livros Abertos” da Biblioteca Municipal de Loulé Sophia de Mello Breyner Andresen.

“As pessoas invisíveis” é uma viagem por vários tempos da história recente de Portugal, desde a década de 40 do século XX, narrada a partir de uma personagem ambígua, Xavier, que age como se tivesse um dom ou como se precisasse de acreditar que tem um dom. Dos anos 40 do século XX, com a ambição do ouro, a posição de Salazar face à guerra, a guerra colonial com todas as questões que hoje levanta, o nascimento e os primeiros anos da democracia. Em todas estas paisagens e em todos os tempos que o romance toca, a palavra é de quem não a costuma ter. Dramática, velada, fugaz, lapidar, tocada pelo sobrenatural. Os habitantes do mundo rural ou os negros das colónias são seres quase diáfanos que sublinham uma sensação de quase perdição que atravessa todo o livro e constitui um dos seus pontos mais magnéticos.

Neste livro o leitor é convocado para preencher com a sua imaginação o não dito, os silêncios, o invisível.

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Outro aspeto presente nesta obra é o trabalho de linguagem, o domínio de uma oralidade telúrica a contrastar com a riqueza de vocabulário e de referências histórico-sociais.

José Carlos Barros venceu o Prémio LEYA 2021. Autor de vasta obra poética, a sua estreia na prosa aconteceu com “O Prazer e o Tédio”.

Licenciado em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora, José Carlos Barros vive em Vila Nova de Cacela, no Algarve. Tem exercido atividade profissional no âmbito do ordenamento do território e da conservação da natureza, e foi diretor do Parque Natural da Ria Formosa. Foi também técnico superior do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e da Direção Regional do Ambiente do Algarve. Antigo deputado do PSD, José Carlos Barros foi vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e presidente da Assembleia Municipal da mesma cidade. É vereador, sem pelouro, naquela câmara.

Entre os vários livros de poesia que escreveu destacam-se “uma abstração inútil”, “Todos os náufragos”, “Teoria do esquecimento”, “Pequenas depressões” (com Otília Monteiro Fernandes) e “As leis do povoamento” (editado também em castelhano). Com “Sete epígonos de Tebas” venceu o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2009.

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Os seus livros de poesia mais recentes são “O uso dos venenos”, “A educação das crianças”, “Estação - Os poemas do DN Jovem”, e “Penélope escreve a Ulisses”.

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